domingo, 6 de outubro de 2013

CARTA ABERTA AOS POLITICOS DE PORTUGAL

Deveria começar por me dirigir a vós, por “estimados políticos”, mas estaria a ser hipócrita, pois não vos estimo, mais que tudo, porque vós também não me estimais. Acabamos de atravessar mais um período eleitoral, momento nobre de uma democracia, onde se afirma que é o momento soberano, em que os eleitores expressam o seu sentimento, basicamente através do seu sentido de voto. Independentemente de quem é votado, deve ter-se muita atenção a todos os indicadores, nomeadamente a abstenção, os votos brancos ou os votos nulos. E nestas eleições, que por muitos são consideradas menores, eu acho que deveriam ser exactamente as principais, porque são aquelas onde escolhemos “os” que conhecemos e sabemos onde estão! O poder deveria ser formado debaixo para cima, partindo dos eleitos locais que piramidalmente e de uma forma geográfica iam sendo agrupados, até chegar ao governo de Portugal, que garantia a coesão nacional. Esse governo seria “chefiado” por um chefe eleito directamente pelo povo na sua generalidade e que iria garantir o contra-poder. Mas deixando o modelo que há muito defendo, para correctamente e equilibradamente nos defender e representar, nestas eleições de ontem, há um sinal muito claro: os portugueses não gostam da actual classe politica, nem dos partidos. Quase metade dos portugueses (47,4%) não foram votar; se a isso juntarmos cerca de 2,95% de nulos (votantes que exerceram o seu direito mas decidiram inutilizar o seu voto, consciente ou inconscientemente) e 3,85% de brancos (admitamos que votaram, mas se abstiveram). Se a isto juntarmos os independentes, quer dizer que só votaram em partidos, pouco mais de 40% dos portugueses. São números para pensarem Srs. políticos. Como os senhores políticos vivem numa torre de marfim, apenas saindo para vaguearem entre palácios e hotéis de 5 estrelas, não querem ver nem ouvir o que se passa nas ruas e o que dizem as pessoas. Provavelmente iriam descobrir uma classe média (ou o que ainda resta dela) sem esperança e empobrecida, as empresas familiares (ou o que resta delas), perfeitamente atrofiadas em exigências inexequíveis e financeiramente falidas, isto já para não falar daqueles que não eram, nem nunca foram monetariamente favorecidos. As pessoas estão tristes e não se revêm neste sistema, nem nestes actores. Se não têm a vontade de ir á rua, pelo menos no remanso dos vossos gabinetes, interpretem com honestidade estes números eleitorais. Percebam o que querem dizer. Basta!! Mas esta mensagem é para todos: Sr. Passos Coelho, pela sua cegueira e falta de sensibilidade social; Sr. António Seguro (que não passa de um menino imberbe); Sr. Paulo Portas (que tem muitas histórias mal contadas no seu currículo); Sr. Jerónimo de Sousa (até admiro a sua honestidade partidária e filosófica, mas estamos num século à frente do muro de Berlim); e dos outros, nem comento, porque não expressam nada, apenas existem porque as pessoas procuram alternativas noutras áreas politicas, como um naufrago busca terra. Pensem nisto Srs. políticos.