sexta-feira, 1 de dezembro de 2017
A MARCHA INEXORÁVEL DA VIDA
domingo, 30 de abril de 2017
OS VERMES DAS CLAQUES DESPORTIVAS
Revolta-me
profundamente, que tenha que partilhar o meu espaço na sociedade, com os mesmos
energúmenos que nada fazem para merecer essa convivência social. Falo da
recente notícia do assassinato dum adepto do Sporting, de nacionalidade
italiana, por um criminoso dos ”No Name
Boys”. É indiferente, ser do Benfica, do Sporting, do Porto ou de qualquer
outro clube. Para mim, o inadmissível é essa verdadeira corja de malfeitores
que as claques dos clubes abrigam. Revolta-me que Presidentes de clubes que
deveriam defender valores como a solidariedade, a amizade, o desportivismo, o saber
viver em sociedade, aceitem que os seus clubes sejam apoiados por bandos de
parasitas sociais, que vão para os estádios destilar os seus ódios e falta de
educação, misturados com armas, drogas e álcool, de uma forma perfeitamente
repugnante. Se eu precisar de um agente da autoridade para salvaguardar uma
determinada situação, dizem que não existem agentes disponíveis; no entanto
para levar o “gado” das claques para os estádios já existem centenas de
agentes, de várias valências, para os fechar em quadrados de segurança, que são
a génese da pseudo virilidade desses macaquinhos, numa atroz falta de respeito,
para com as outras pessoas e até mesmo com a própria autoridade. Quem não sabe
e ou não quer, viver em sociedade, que seja deportado para as Berlengas e
deixam-nos lá ficar uns com os outros. O futebol é um espectáculo, como outro
qualquer, onde existem rivalidades, mas rivalidades saudáveis, sem ofender,
magoar, injuriar, ou até matar. Deve ser um espectáculo onde as famílias podem
ir, com a mesma garantia de paz e segurança, como vão a um concerto, ao cinema,
a um teatro ou a uma exposição. Acabem com as claques e destituam os
Presidentes que lhes dão aval. Penalizem as equipas que precisam destes vermes,
penalizando-os na utilização dos seus recintos, até provas em contrário. As
claques são o pior exemplo da falta de civismo e ódios, que cada vez mais
despontam na nossa sociedade.
domingo, 8 de janeiro de 2017
O SOARES FOI FIXE!
Ontem desapareceu uma personagem
incontornável da história contemporânea portuguesa. Podemos gostar dele ou não.
Eu, pessoalmente votei a maior parte das vezes, mais à direita, a favor dos
adversários de Mário Soares, por isso sinto-me isento, para agradecer tudo o
que Mário Soares fez por Portugal. É certo que tem algumas zonas (muito?)
cinzentas, nomeadamente a descolonização, mas não é decerto por algumas
decisões menos boas, tomadas em momentos muito conturbados, que lhe deixo de
reconhecer todo o seu mérito, não só no plano nacional, mas sobretudo no plano
internacional, o que prova que estamos perante uma português de elevada
estatura, craveira e disponibilidade, para os combates que teve ao longo da sua
vida. Fez na vida o que gostou – ser político, mas político a sério, não são
estes políticos de aviário de hoje. Portugal até teve verdadeiros homens de
combate e convicções nessa altura: Álvaro Cunhal, Sá Carneiro, Adelino Amaro da
Costa, entre tantos outros, cada um com o seu percurso e história. O tempo
encarrega-se de repor a verdade e os factos na sua verdadeira dimensão, assim,
o que mais agradeço a Mário Soares, foi a sua coragem na primeira dezena de
anos da revolução, quando o partido comunista tinha como único objectivo, que
até seria louvável nos seus fundamentos ideológicos, mas que mais não passou da
destruição gratuita do aparelho produtivo industrial e agrícola, assim como do
tecido empresarial, o que nos provocou a primeira banca rota e um desvario de
que tudo seria fácil, fazendo-nos atrasar em dez anos, aquilo que tínhamos
conseguido evoluir, muito lentamente, nos últimos 20 anos antes da revolução.
Valeu na altura a frontalidade, a coragem e o prestígio internacional de Mário
Soares, para ainda hoje podermos fazer a contagem da nossa nacionalidade, desde
os tempos de Afonso Henriques. Se não tem sido o seu papel, na melhor das
hipóteses, hoje provavelmente seriamos mais uma província de Espanha (com menos
peso que a Andaluzia, que com cerca de 7 milhões de habitantes, tem um PIB,
superior ao nosso). Podemos não gostar dele, podemos não estar de acordo com
ele, mas nada nos dá motivo, para vangloriarmos a sua morte, nem escamotear a
sua importância. O seu papel merece respeito e recato, especialmente neste
momento de luto. O mundo não é que queremos que seja, o mundo é que é, e o
facto de a nível nacional e internacional, vermos um Português ser reconhecido
pelo seu mérito, merece o nosso respeito e o meu orgulho! Vai em paz, Mário
Soares, foste fixe.
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