sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A MARCHA INEXORÁVEL DA VIDA

A marcha inexorável da vida, a mesma que me trouxe e me há-de levar, também traz e leva, outras pessoas. Esta semana partiram duas pessoas, que, cada uma, pelos seus motivos me marcaram, me fizeram crescer e sorrir. Uma, Belmiro de Azevedo, que com a sua tenacidade e perseverança, conseguiu construir um império, com tudo o que de bom e menos bom, isso acrescenta, na vida das pessoas. Não vou discutir as suas virtudes ou tomar outras considerações sobre o grupo SONAE. Apenas posso dizer, que trabalhar na Modelo Continente Hipermercados, entre Junho de 1988 e Março de 1994, me fez crescer como homem, mas sobretudo como profissional. Aprendi muito, trabalhei muito, também me diverti muito, comecei no Continente da Amadora, numa altura em que ainda não existiam computadores, como hoje, em que tudo era feito à mão, entre multidões de clientes que diariamente nos visitavam em magotes de gente. Trabalhar na Sonae, proporcionou-me também, ter guardado um punhado de bons Amigos, que ainda hoje guardo com muita emoção. Outra, foi o Zé Pedro. O Zé Pedro, um grande músico, uma enciclopédia musical e Senhor de um enorme sorriso, que em conjunto com os seus amigos e colegas dos Xutos, cresceram comigo, em múltiplas ocasiões e em muitíssimas músicas que cantei ao vivo, em karaokes, entre copos com amigos, em festas de anos, em concentrações motards (Faro e Góis, sempre!!), eu sei lá. Por cada um deles, verto uma lágrima de ternura, alegria, saudade, amizade, mas sei que cada vez mais, infelizmente, o meu céu tem mais estrelas. Bem-hajam, Belmiro e Zé. Até sempre.

domingo, 30 de abril de 2017

OS VERMES DAS CLAQUES DESPORTIVAS

Revolta-me profundamente, que tenha que partilhar o meu espaço na sociedade, com os mesmos energúmenos que nada fazem para merecer essa convivência social. Falo da recente notícia do assassinato dum adepto do Sporting, de nacionalidade italiana, por um criminoso dos ”No Name Boys”. É indiferente, ser do Benfica, do Sporting, do Porto ou de qualquer outro clube. Para mim, o inadmissível é essa verdadeira corja de malfeitores que as claques dos clubes abrigam. Revolta-me que Presidentes de clubes que deveriam defender valores como a solidariedade, a amizade, o desportivismo, o saber viver em sociedade, aceitem que os seus clubes sejam apoiados por bandos de parasitas sociais, que vão para os estádios destilar os seus ódios e falta de educação, misturados com armas, drogas e álcool, de uma forma perfeitamente repugnante. Se eu precisar de um agente da autoridade para salvaguardar uma determinada situação, dizem que não existem agentes disponíveis; no entanto para levar o “gado” das claques para os estádios já existem centenas de agentes, de várias valências, para os fechar em quadrados de segurança, que são a génese da pseudo virilidade desses macaquinhos, numa atroz falta de respeito, para com as outras pessoas e até mesmo com a própria autoridade. Quem não sabe e ou não quer, viver em sociedade, que seja deportado para as Berlengas e deixam-nos lá ficar uns com os outros. O futebol é um espectáculo, como outro qualquer, onde existem rivalidades, mas rivalidades saudáveis, sem ofender, magoar, injuriar, ou até matar. Deve ser um espectáculo onde as famílias podem ir, com a mesma garantia de paz e segurança, como vão a um concerto, ao cinema, a um teatro ou a uma exposição. Acabem com as claques e destituam os Presidentes que lhes dão aval. Penalizem as equipas que precisam destes vermes, penalizando-os na utilização dos seus recintos, até provas em contrário. As claques são o pior exemplo da falta de civismo e ódios, que cada vez mais despontam na nossa sociedade.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O SOARES FOI FIXE!

Ontem desapareceu uma personagem incontornável da história contemporânea portuguesa. Podemos gostar dele ou não. Eu, pessoalmente votei a maior parte das vezes, mais à direita, a favor dos adversários de Mário Soares, por isso sinto-me isento, para agradecer tudo o que Mário Soares fez por Portugal. É certo que tem algumas zonas (muito?) cinzentas, nomeadamente a descolonização, mas não é decerto por algumas decisões menos boas, tomadas em momentos muito conturbados, que lhe deixo de reconhecer todo o seu mérito, não só no plano nacional, mas sobretudo no plano internacional, o que prova que estamos perante uma português de elevada estatura, craveira e disponibilidade, para os combates que teve ao longo da sua vida. Fez na vida o que gostou – ser político, mas político a sério, não são estes políticos de aviário de hoje. Portugal até teve verdadeiros homens de combate e convicções nessa altura: Álvaro Cunhal, Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa, entre tantos outros, cada um com o seu percurso e história. O tempo encarrega-se de repor a verdade e os factos na sua verdadeira dimensão, assim, o que mais agradeço a Mário Soares, foi a sua coragem na primeira dezena de anos da revolução, quando o partido comunista tinha como único objectivo, que até seria louvável nos seus fundamentos ideológicos, mas que mais não passou da destruição gratuita do aparelho produtivo industrial e agrícola, assim como do tecido empresarial, o que nos provocou a primeira banca rota e um desvario de que tudo seria fácil, fazendo-nos atrasar em dez anos, aquilo que tínhamos conseguido evoluir, muito lentamente, nos últimos 20 anos antes da revolução. Valeu na altura a frontalidade, a coragem e o prestígio internacional de Mário Soares, para ainda hoje podermos fazer a contagem da nossa nacionalidade, desde os tempos de Afonso Henriques. Se não tem sido o seu papel, na melhor das hipóteses, hoje provavelmente seriamos mais uma província de Espanha (com menos peso que a Andaluzia, que com cerca de 7 milhões de habitantes, tem um PIB, superior ao nosso). Podemos não gostar dele, podemos não estar de acordo com ele, mas nada nos dá motivo, para vangloriarmos a sua morte, nem escamotear a sua importância. O seu papel merece respeito e recato, especialmente neste momento de luto. O mundo não é que queremos que seja, o mundo é que é, e o facto de a nível nacional e internacional, vermos um Português ser reconhecido pelo seu mérito, merece o nosso respeito e o meu orgulho! Vai em paz, Mário Soares, foste fixe.