Numa das muitas
conversas com o sábio da vida, que é o meu Tio João, comentávamos o estado do
Mundo e ele, do alto da sabedoria dos seus 85 anos, perguntava-me o que eu
achava do futuro, por causa desta enorme crise do Corona. E eu fiquei sem
resposta, mas na minha ingenuidade de sempre acreditar que tudo vai melhorar,
disse-lhe que iremos ter que reconstruir e repensar o mundo. Ele aquiesceu com
a cabeça, mas percebi, que algo ia no seu pensamento, que eu resolvi indagar.
Ele perguntou-me então o que eu entendia por construir? Se há algo que não é o
meu forte, é a construção de prédios, mas usando alguma similitude, disse-lhe é
como se eu juntasse, pedreiros, carpinteiros, engenheiros, eletricistas,
arquitectos, canalizadores, entre outros, para construirmos um belo edifício,
que possa servir para albergar famílias, escritórios, comércios, para
harmonizar uma vida em comum, seria a felicidade das pessoas que frequentem
esse espaço imobiliário. Ele disse que era um bom exemplo, mas como sempre,
colocou uma pergunta: e se algum desses elementos que vão construir o edifício,
por inveja, por negligência, por inépcia, por preguiça, por egoísmo, decidirem
boicotar a construção? Eu fiquei admirado com a pergunta, mas disse-lhe que
provavelmente iria demorar mais tempo e esforço, ou seja, iriam ser consumidos
mais recursos, para construir o prédio, provavelmente com o sacrifício dos
outros empreendedores. O meu Tio João, retorquiu de imediato, aprovando a minha
análise: ora aí tens a resposta de como vai o mundo hoje! De facto, a cupidez
(a sede de poder, entre outras coisas) de alguns poucos, provoca sacrifícios
desnecessários, para a grande maioria. Muitos homens têm o ideal de dominar o Mundo. Sempre foi assim, basta ver a sucessão de
guerras que já vem antes de Cristo. Mas hoje, meu sobrinho, o Mundo mudou. Hoje
já não é uma questão de ver quem tem o maior barco, quem tem mais aviões ou os
soldados mais destemidos. Hoje, as guerras, fazem-se com ataques digitais, com
desequilíbrios económicos ou com lutas biológicas e para perceber isso, é
preciso muita paciência de chinês. Fiquei siderado com esta última frase. O Tio
João tem sempre razão.
