terça-feira, 31 de março de 2020

CONVERSAS COM O MEU TIO JOÃO - CONSTRUIR


Numa das muitas conversas com o sábio da vida, que é o meu Tio João, comentávamos o estado do Mundo e ele, do alto da sabedoria dos seus 85 anos, perguntava-me o que eu achava do futuro, por causa desta enorme crise do Corona. E eu fiquei sem resposta, mas na minha ingenuidade de sempre acreditar que tudo vai melhorar, disse-lhe que iremos ter que reconstruir e repensar o mundo. Ele aquiesceu com a cabeça, mas percebi, que algo ia no seu pensamento, que eu resolvi indagar. Ele perguntou-me então o que eu entendia por construir? Se há algo que não é o meu forte, é a construção de prédios, mas usando alguma similitude, disse-lhe é como se eu juntasse, pedreiros, carpinteiros, engenheiros, eletricistas, arquitectos, canalizadores, entre outros, para construirmos um belo edifício, que possa servir para albergar famílias, escritórios, comércios, para harmonizar uma vida em comum, seria a felicidade das pessoas que frequentem esse espaço imobiliário. Ele disse que era um bom exemplo, mas como sempre, colocou uma pergunta: e se algum desses elementos que vão construir o edifício, por inveja, por negligência, por inépcia, por preguiça, por egoísmo, decidirem boicotar a construção? Eu fiquei admirado com a pergunta, mas disse-lhe que provavelmente iria demorar mais tempo e esforço, ou seja, iriam ser consumidos mais recursos, para construir o prédio, provavelmente com o sacrifício dos outros empreendedores. O meu Tio João, retorquiu de imediato, aprovando a minha análise: ora aí tens a resposta de como vai o mundo hoje! De facto, a cupidez (a sede de poder, entre outras coisas) de alguns poucos, provoca sacrifícios desnecessários, para a grande maioria. Muitos homens têm o ideal de dominar o Mundo. Sempre foi assim, basta ver a sucessão de guerras que já vem antes de Cristo. Mas hoje, meu sobrinho, o Mundo mudou. Hoje já não é uma questão de ver quem tem o maior barco, quem tem mais aviões ou os soldados mais destemidos. Hoje, as guerras, fazem-se com ataques digitais, com desequilíbrios económicos ou com lutas biológicas e para perceber isso, é preciso muita paciência de chinês. Fiquei siderado com esta última frase. O Tio João tem sempre razão.