quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O MUNDO ESTÁ LOUCO?


Abrir os jornais, ver os telejornais ou ouvir a rádio é um exercício monótono e deprimente. A crise, os acidentes, os incêndios, a guerra, a morte e a violência são denominadores comuns destes mensageiros da desgraça. Salvam-se alguns jornais e noticiários mais “sérios” que mais que noticiar a desgraça, tentam promover o debate das ideias e dos conceitos. Para além disto o que resta? As novelas e a bola – que em abono da verdade poucas coisas positivas deixam para o futuro.
No entanto nos últimos dias o chorrilho de vandalismo (o caso de Inglaterra), o pseudo-protesto (o caso das Portas do Sol, em Madrid), um demente que resolve matar os outros inocentes (o caso da Noruega) ou os sucessivos assaltos (cá no nosso burgo, especialmente no Algarve), entre outras coisas, levam-me a continuar a pensar, que o modelo de democracia está caduco e obsoleto. A democracia pressupõe, para além de um livre desígnio das nossas escolhas, através do voto, um respeito pela dignidade humana e um respeito pelas pessoas e instituições, acima de qualquer suspeita. Ou como diriam os antepassados: “…saber viver em sociedade…”. Fruto de legislações cada vez mais permissivas, justiças cada vez mais burocráticas e falta de educação cívica, começam, com cada vez mais insistência, a gerar o aparecimento de grupos (gangs!!) de pessoas que não sabem viver em sociedade, mas proclamam todos os seus direitos. Errado!!! Os direitos implicam deveres. Esse é um dos mais básicos princípios. Então porque é que esses energúmenos (para não lhes chamar bandidos!), resolvem furtar, roubar, destruir, vilipendiar, violar e até matar os outros, que honestamente tentam viver, lutando todos os dias pelo seu quinhão de felicidade? Porque nada lhes acontece – resposta elementar. Não sou adepto da pena de morte, porque descobrir um erro de julgamento, poderia ser irreversível, mas quase que sou adepto do dente por dente, olho por olho. Se as penas fossem verdadeiras penas (leia-se castigos exemplares), talvez muitos meninos começassem a pensar duas vezes antes de fazer algo de errado. Como é possível os mesmos bandidos, fazerem inúmeras vezes os mesmos crimes e continuam a sair cá para fora em liberdade, gozando com quem estrupiaram, com os deteve e com quem os julgou?? Isto é democracia? Não!, isto é selvajaria! Eu não poso pactuar com uma justiça que chateia mais os lesados do que os réus ou os arguidos; eu não pactuo com uma justiça, que baseada em critérios de modernidade e (instrução) liberta pessoas que não sabem viver em sociedade! Eu não quero sustentar aqueles que nada querem fazer, e pior do que isso: ainda arranjam maneira que eu tenho que andar a trabalhar para os sustentar! Estou farto de uma sociedade que determinados senhores (xicos-espertos) põe o seu dinheirinho em off-shores e não pagam impostos e ainda gozam com o fisco e o Estado e eu, se me distraio um dia a entregar o IRS já estou logo a pagar uma coima; e se insistir a máquina sorvedoura do Estado penhora-me logo os bens que encontrar – sim porque eu devo ser muito estúpido – vivo de uma maneira que não consigo esconder nada dos meus rendimentos e dos meus bens. Deixem-me viver em paz e sossego. Obrigado.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A CIDADE PROSTITUTA


Num recente passeio a pé pela cidade de Lisboa, fiquei totalmente deprimido, o que é uma coisa rara em mim. Numa passeata algures entre o Rego e Santos, via Av. da República, Saldanha, Estefânea, Gomes Freire, Campo Santana, Martim Moniz, Praça da Figueira, Rua Augusta, Praça do Município, Cais do Sodré, Santos, São Bento, Príncipe Real, Misericórdia e Rossio, encontrei uma cidade suja, abandonada, mal cheirosa, triste, desconsolante, cheia de obras e vazia de vida, cor e alegria. As pessoas, tristes e surumbáticas – já não existe gente bonita, no sentido de limpa, educada, alegre e galante – circulavam como autómatos, em busca do seu destino, sem qualquer olhar para aquilo que as rodeia. Também é verdade que não têm muito para ver, pois a cidade está deprimente, sem vida de bairro, onde tudo se vende ou aluga. Com grande mágoa, reconheço que não consigo ter orgulho na minha cidade, de tão feia que está; parece que até a luz já não é a mesma. Esta mesma cidade onde cresci e me tornei homem, que tantas alegrias me deu, de dia e de noite, em todos os bairros de Lisboa, mais ricos ou menos nobres, está hoje moribunda, como se ninguém se preocupasse com ela – é o trânsito, caótico e desordenado (quando temos uma rede de transportes tão boa!), são as obras sem qualquer respeito pelos peões e/ou condutores, é o comércio tradicional todo fechado e o que resta, salvo honrosas excepções, a definhar a uma velocidade vertiginosa. Horror! Mágoa! Tristeza! Lágrimas!
Tenho um enorme respeito, por todas as formas de sobrevivência, desde que legitimas e conquistadas com esforço, mesmo aquelas que à priori podem ser consideradas menos nobres; a prostituição é uma delas. Sobre este tópico, até o velhinho Cais do Sodré está bafiento e completamente degradado. Neste meu passeio, reparei numa prostituta anciã no Cais Sodré, que ainda acredita que o seu velhinho corpo lhe poderá dar algum sustento. Senti pena dela, pela positiva, no sentido de a admirar pelo seu esforço e tenacidade, escondendo uma (provável) triste história de vida, mas sem clientes, sem futuro e sem esperança. A imagem desta senhora, é a melhor comparação que posso dar pela cidade de Lisboa. É usada de segunda a sexta, das 9 às 19, por milhões de pessoas, basicamente do terciário, que no final do dia saiem dela (cidade) e regressam aos seus caixotes de dormir nos arredores, deixando para trás uma cidade a definhar. Dia após dia, a cidade vai ficando mais degradada e sem futuro. As cidades são as pessoas que nela vivem, trabalham, investem e consomem o seu dinheiro. Se estes quatro vectores não funcionarem as cidades definharão.
Mas este fenómeno de Lisboa é extensivo a todo o Portugal – basta ver as assimetrias interior litoral. Que fazer? Uma verdadeira política de incentivo à fixação, livre das especulações imobiliárias, das burocráticas (para não dizer corruptíveis) facilidades de instalação das indústrias, fomentando uma correcta e equilibrada distribuição das pessoas pelo nosso Portugal, aonde todos ganharíamos com isso. Nós até já temos umas excelentes infra-estruturas de comunicação. Porquê insistir na burrice de irmos todos para o mesmo sítio e nem sequer usufruirmos das nossas cidades e vilas?