quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

2012


Dois mil e uma dúzia. Eis o número de anos que passaram, desde o suposto nascimento de Cristo, que estamos em plena época de celebração. Intitulo-me de católico não praticante, mas no fundo acho que sou ateu, mas pelo sim pelo não, lá me vou benzendo. Sinto que existe algo de divino, pois reconheço que locais sagrados, como, Fátima em Portugal ou a igreja do Santo António em Pádua, Itália, mexem comigo quando os visito, talvez por alguma sugestão, não sei. Existem múltiplas igrejas, várias grandes correntes, mas no fundo todas nos prometem algo, a troco de praticarmos o bem: a eternidade, fazer amor à quinta feira, sete virgens se aniquilarmos muitos opositores, a absolvição dos nossos pecados, por exemplo. Parece os partidos políticos – se praticarmos o bem (leia-se, darmos-lhes o nosso voto) prometem-nos o paraíso. No entanto tem um pequeno senão, num às segundas feiras (dia a seguir à missa dominical da religião católica) e noutro, no dia a seguir ás eleições, descobrimos que afinal a vida terrena, não é tão boa como nos prometem, nem vamos receber todos as benfeitorias que nos anunciaram na campanha politica, para umas eleições. Os políticos, com honrosas, infelizmente poucas, excepções, não passam de uma cambada de aldrabões que nos enganam com poderosíssimas máquinas de publicidade (pagas por nós), para nos caçarem os nossos “votinhos”, que todos somados, lhes dá direito a atingirem o famigerado “poleiro”. Assim que lá chegam, nem sabem aonde fica a nossa terra, nem o nosso nome, apenas lhes interessando o nosso número de contribuinte, para a partir daí, nos sugarem o que puderem, sem pensarem no bem comum – que deveria ser a sua maior missão. Começam por chamar os seus lacaios, a maior parte das vezes, sem qualquer competência para os lugares que vão ser nomeados, apenas interessando que garantam a vassalagem ao seu líder. Depois vêm as mordomias: gabinetes, secretárias, carros, comitivas. A partir daí, apenas governam com um único interesse – preparar as próximas eleições para garantir o máximo possível de rentabilidade (pessoal, claro). Se tiverem que sair, encarregam-se de antes de sair, poder fazer o máximo possível de favores aos seus correligionários e futuros empregadores (há que assegurar o lugar de administrador de uma qualquer empresa, que lhes proporcione um belo “tacho”). Se começasse a lista de nomes que me vêm à cabeça, precisava de muito papel. Apenas alguns (desculpem-me aqueles que me esquecer de mencionar): Isaltinos, Felgueiras, Limas (juro que não sou eu), Melancias, Silvas, Avelinos, Costas, Sócrates, Portas. Trata-se de uma cambada de mamíferos, mas sem coluna vertebral, pois ainda me hão-de explicar como chegam tesos ao poder e depois mexem com milhões, como eu conto tremoços num pires. Milagre? Já sou suficientemente crescido para não acreditar no Pai Natal. Mas isto não é só em Portugal. Vamos a Espanha e a palhaçada é a mesma, pero com salero. Já nem a família Real escapa. Será que, aquele cabeça de atum, o Duque de Palma, não tem vergonha na cara? E precisava? Penso que por vezes é apenas a ganância, um dos grandes pecados (mas podiam desfrutar de outros, como a luxúria ou a gula e assim já não chateavam os outros!). E em França, o antigo Presidente Chirac? A câmara pagava lugares oficiais, que depois trabalhavam no partido. Fantástico! E podíamos ir por aí fora, ultrapassar continentes e os exemplos andam quase sempre na mesma bitola. Merecemos isto? Talvez sim, talvez não. Se os valores de ética, honra, lealdade, respeito, educação, prevalecessem, fossem rigorosamente ensinados e interiorizados, talvez o Mundo funcionasse melhor. E deixemo-nos de tretas, quem não os cumprir, deve ser exemplarmente punido. Estou a borrifar-me para os direitos humanos daqueles animais, que roubam, matam e destroem os outros e os bens dos outros, passando sempre incólumes, ao abrigo dos seus direitos de justiça, defesa e respeito. E ainda gozam com aqueles que vilipendiam, com aqueles que os apanham e com aqueles que os julgam. Enquanto a mentalidade do perdão (mal interpretado) perdurar a sociedade vai piorar. E vai ser triste, porque a grande maioria é honesta e trabalhadora. Longe vão os tempos em que se deixava a chave na porta ou no carro; se perdia a carteira e a encontrávamos na polícia e as pessoas podiam circular tranquilamente a qualquer hora, em qualquer lugar; se encontrava dirigentes, que pagavam do seu bolso as suas despesas pessoais e ficavam envergonhados com os seus erros.
Enfim, vamos manter a nossa esperança, vamos tentando melhorar o nosso mundo, com saúde, alegria e respeito mútuo. São os meus votos no aproximar de um novo ano.

Sem comentários:

Enviar um comentário