sábado, 14 de abril de 2012
O PARADIGMA DA NOSSA VIDA VAI MUDAR
A situação actual da Europa, não me deixa muitas dúvidas, que a nossa vida vai mudar. Não quero valorizar se vai ser melhor ou pior, mas de uma coisa tenho a certeza - vai mudar! Desde muito novo que mentalmente tenha muito estruturada a minha vida: dividida em terços, que correspondem a períodos de 25 anos. O primeiro terço, era o tempo da descoberta, aventura e libertinagem. O segundo terço, esteve reservado para aquelas actividades mais sérias, como constituir familia, gerar, criar e reter riqueza suficiente, que me pudesse proporcionar um último terço de aventura e disfruto final do resto da minha vida. Tudo isto estava baseado, num pressuposto de crescimento e enriquecimento permanente, fruto dum modelo económico que estava instituído e que funcionava; estava instituido e funcionava, para a esmagadora maioria das pessoas, honestas e trabalhadoras, que geravam riqueza e dela usufruiam. Mas eis que aparece uma classe politica e outra pseudo-financeira, que pensou que sem galinhas se podia ter ovos e destruiu sériamente esse sistema, afectando gravemente aqueles que ajudaram a construir esse sistema. Essa maioria ajudou a construir, mas os poucos que beneficiaram com a sua destruição, foram maioritáriamente os mentores dessa implosão. Lá está a vida a ser injusta. Como vamos explicar aos nossos filhos e netos, que já não conseguem comprar uma casinha, um carrinho, depois trocar por uma casa e um carro melhor e depois comprarem uma segunda casa na praia e um carro de alta gama? Que férias em destinos exóticos, todos os anos, acabou. Como se irão sentir as próximas gerações? Que legado lhes deixamos? Nem sequer um legado educacional (apesar de terem estudado muitos mais anos que nós - o que não significa directamente mais educação) ou social. Sinto-me triste.
Mas voltando ao título desta crónica e mantendendo o optimismo, que quando fosse cinquentão, teria um Ferrari, comeria todos os fins de semana em belos restaurantes de frente para o mar, ou no topo de uma bela montanha, acompanhado pelos amigos e familia; que tirava férias regularmente para passear por Portugal e pelo Mundo, eis que tenho que pensar sériamente na minha reforma, porque uns senhores destruiram o pecúlio que lhes dei ao longo da vida, para me valerem no dia em que precisasse de uma reforma; que tenho que pensar em manter o meu trabalho, porque se o perco, tenho que pegar no meu passaporte e numa mala de cartão e partir para fora da Europa, para ganhar sustento. Tristeza!
Esta semana lia uma crónica de uma senhora, divorciada, quarentona, que tinha dois negócios, ou seja era uma empresária de sucesso, assente numa vida de trabalho, mas que lhe permitia ter uma boa vida. A partir de 2008, os seus negócios começaram a falhar e as dividas começaram a aparecer. Perdeu tudo o que tinha (e o que não tinha), teve que pedir a falência pessoal. Hoje vive com a mãe, faz umas limpezas para angariar o seu sustento, mas por incrível que pareça, diz-se muito mais feliz e tranquila, porque tem a sua liberdade de volta.
Provavelmente, colando ao exemplo desta mulher, no tal último terço da minha vida, eu não terei um Ferrari, mas tenho uma bela rede de transportes, não irei almoçar todos os fins de semana fora, mas farei belos piqueniques num qualquer paredão em cima do mar, ou num pinhal algures por aí, comendo uns belos pastelinhos, feitos em casa, mas sempre acompanhado da familia e dos amigos (e aí decerto que serão os verdadeiros, aqueles que gostam de mim, tenha eu muitos bens ou não). Disfrutarei da minha liberdade, mas decerto não me roubam a felicidade!
Este texto, tem por base a nossa situação e o facto de eu ter completado 50 anos. Vivo muito bem com a idade que tenho (apenas a sinto no Cartão do Cidadão).
Para terminar transcrevo um texto meu que dediquei aos meus 50 anos e publicado numa rede social:
"Bem Hajam! A todos os meus Entes, Amigos e colegas, todos companheiros desta minha jornada de meio século. Sem vós a minha vida não faria sentido. Sem o vosso apoio não teria chegado aqui, ou pelo menos, decerto não seria a pessoa que sou. Espero continuar a ter o prazer de nos mantermos juntos, numa caminhada de alegria e saúde, que nos permita sempre ser livres e felizes de nos irmos encontrando..., disfrutando dos nossos interesses e da nossa amizade, mas acima de tudo de termos uma vida plena de fé, alegria e amor. Vamos sempre manter o nosso lado infantil vivo, significando isso a sinceridade, a espontaneidade, a lealdade e o gozo de viver a vida com um sorriso na boca. Vamos viver a vida com muita paixão. Nunca se esqueçam que cada momento conta e um minuto passado, nunca mais volta. Disfrutem, gozem, brinquem, riam, façam amor, gritem, chorem, comam, bebam, façam tudo o que vos apetecer, por prazer. Eu vou com vocês até ao fim do mundo. Até já."
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