segunda-feira, 10 de setembro de 2012
PEDRO - O NOSSO PRIMEIRO
Pedro,
Para começar, não tenho a ousadia de te tratar como amigo, tal como me trataste no Facebook, porque nunca bebemos café juntos. Segundo, mesmo que tivéssemos bebido um café e falado de trivialidades, isso não era sinónimo de sermos amigos. Terceiro e talvez o mais importante, os amigos não furtam os amigos.
Aquilo que me fizeste (e perdoa-me por te tratar assim, mas foste tu que começaste), foi uma sodomização sem autorização. Eu sei que tu não és o Estado, mas como deste a cara por ele, nessa nobre tarefa que é (ou deveria ser) de defender a causa pública e como assumes o namoro com a Troika (eu sei que vais dizer que não foste tu, foram os outros e os outros que virão, hão-de dizer que não foram eles, foste tu). Tu roubaste-me a esperança do meu futuro, por tudo o que já me fizeste indirectamente, mais o salário que me roubas (sim, roubo, porque isto mete violência psicológica!)agora e mais aquilo que pode ainda vir, pois a vossa imaginação é fértil; mas é pena que seja apenas fértil com quem ainda tem a estupidez de trabalhar por conta de outrem e não possa ser político, não conseguir sustento sem factura, nem ter contas em paraísos fiscais, nem ser rico, sabe-se lá como (eu não tenho nada contra quem enriqueceu honestamente e fruto do seu suor).
Pedro, porque não taxas as grandes empresas? Porque não taxas os resultados milionários dos grandes bancos? Porque não reduzes os parlamentares de Portugal? Porque não reduzes (para não te pedir para acabares) com as tuas mordomias e as dos teus amigos que nada fazem e apenas as têm, porque te ajudaram a chegar aonde chegaste? Porque não acabas com a maior parte das fundações que apenas encapotam fugas fiscais? Porque não acabas com a grande maioria das empresas públicas que apenas servem para sustentar os vícios duma cambada de incompetentes? E podia pedir-te mais uma lista de coisas para acabar. Mas infelizmente a tua coragem política termina nuns testículos de dimensão menor, que apenas sabem esmagar quem não se consegue defender e ainda é estúpido ao ponto de te dar o voto (eu me confesso).
Pedro, nunca mais me trates por amigo, porque não o mereces. Nem tu, nem nenhum político actual ou passado recente. Não passam de uma corja de incompetentes que puseram o país como está, que saíram impunes, que conseguiram lugares de destaque (leia-se, bem remunerados) sem nada terem feito para os justificar ou merecer e que despejam os estragos em cima dos indefesos do costume.
Pedro, não te odeio, como pessoa. Odeio-te por tudo aquilo que representas e tão bem encarnas. É pena que a vossa memória, boa-fé, honestidade, sentido de colectivo e determinação, termine no final de cada escrutínio eleitoral.
Pedro, com o devido respeito, deste que não te considera amigo: vai á merda!
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