Realmente tenho pena de
que hoje já não tenhamos referências nos grandes estadistas mundiais. Gandhi,
Churchill, Eisenhower, Kennedy, Mandela, o Papa João XXI, entre outros. Foram
pessoas que entenderam que servir o Estado, a sociedade e um país, era apenas
isso e nada mais do que isso. Foram pessoas com uma visão de médio-longo prazo,
nada preocupados com as próximas eleições. Foram pessoas que impuseram a sua
integridade e capacidade de decisão, independentemente dos interesses
envolvidos, incluindo os seus próprios. Foram pessoas que não se deixaram
vergar aos seus inimigos e pseudo-amigos, que não se deixaram subornar,
financeiramente e moralmente e alguns deles, até sentiram na pele, essa sua
persistência.
Serve isto para
comentar dois factos que me envergonham: no plano internacional, que teria
acontecido se a Líbia, nos velhos tempos do Sr. Khadafi, tivesse abatido (mais)
um avião em espaço europeu e morto quase 300 pessoas? Invasão, certamente,
baseada em riscos de ameaça da segurança mundial e escudada em criteriosas
informações dos serviços secretos sobre armas químicas, nucleares e outras
coisas similares. Os rebeldes da Ucrânia, a mando da Rússia e com tropas (ok,
estes não ostentam as insígnias) suas e equipamentos militares seus, abateram
um avião civil, mataram 300 inocentes, brincam com as autoridades e instâncias
mundiais, vedando o acesso ao local do atentado e que acontece? Nada!! Muitas
conversações, muitas reuniões, muitas “sançõezinhas” e apenas me ocorre uma
palavra não ofensiva: “palhaçada” (com todo o respeito pelos verdadeiros
artistas desta nobre profissão). Será que o Sr. Obama e a Sra. Merkel (a patroa
da Europa), nada fazem? E porquê? Terão medo do Sr. Putin ou o gás e o petróleo
e os petro-rublos falam mais alto? Provavelmente sim, por isso que se lixe, são
menos 300 bocas a comer! E que se lixem as famílias destroçadas, que imagino se
devem sentir híper/mega/super revoltadas com esta indignidade,
Cá pela nossa CPLP, os
oito ministros dos negócios estrangeiros decidiram por unanimidade aceitar a
entrada da Guiné-Equatorial. Bravo. E porquê? Porque sempre foi um país ligado
a Portugal, com fortes laços com a língua Portuguesa? Não. Apenas porque tem
petróleo e necessita de uma porta de entrada no mundo civilizado. A Guiné
equatorial fala português? Não. Disse (repito, disse!) que o português passou a
ser a sua terceira língua oficial (nem a segunda que é francês a falam!) e até
alterou o hino e tudo…mas sabem para que língua? Castelhano. Lindo! Constrói
escolas? Não. Investe tudo na família do poder e nos seus negócios estranhos, megalómanos
e ilegais. Tem uma justiça civilizada? Não, tem pena de morte (por sinal a
mesma que o Sr. Cavaco condenou à Coreia do Norte, esta semana na visita aos
vizinhos da Coreia do Sul).
Será que estes senhores
que nos “regem” têm coluna vertebral? Será que têm cérebro? Há uma coisa que eu
sei que eles não têm: “testículos”, para terem a dignidade de defender a ética,
o respeito, a honra. São todos uma cambada de “agachadores”, pois tal como nos
ensinaram os nossos antepassados, quando mais te “abaixares” mais se te vêem as
cuecas. Mas eu acho que isso, eles já não usam, por decoro. Valha-nos isso.