domingo, 27 de julho de 2014

AS CUECAS DOS NOSSOS ESTADISTAS

Realmente tenho pena de que hoje já não tenhamos referências nos grandes estadistas mundiais. Gandhi, Churchill, Eisenhower, Kennedy, Mandela, o Papa João XXI, entre outros. Foram pessoas que entenderam que servir o Estado, a sociedade e um país, era apenas isso e nada mais do que isso. Foram pessoas com uma visão de médio-longo prazo, nada preocupados com as próximas eleições. Foram pessoas que impuseram a sua integridade e capacidade de decisão, independentemente dos interesses envolvidos, incluindo os seus próprios. Foram pessoas que não se deixaram vergar aos seus inimigos e pseudo-amigos, que não se deixaram subornar, financeiramente e moralmente e alguns deles, até sentiram na pele, essa sua persistência.
Serve isto para comentar dois factos que me envergonham: no plano internacional, que teria acontecido se a Líbia, nos velhos tempos do Sr. Khadafi, tivesse abatido (mais) um avião em espaço europeu e morto quase 300 pessoas? Invasão, certamente, baseada em riscos de ameaça da segurança mundial e escudada em criteriosas informações dos serviços secretos sobre armas químicas, nucleares e outras coisas similares. Os rebeldes da Ucrânia, a mando da Rússia e com tropas (ok, estes não ostentam as insígnias) suas e equipamentos militares seus, abateram um avião civil, mataram 300 inocentes, brincam com as autoridades e instâncias mundiais, vedando o acesso ao local do atentado e que acontece? Nada!! Muitas conversações, muitas reuniões, muitas “sançõezinhas” e apenas me ocorre uma palavra não ofensiva: “palhaçada” (com todo o respeito pelos verdadeiros artistas desta nobre profissão). Será que o Sr. Obama e a Sra. Merkel (a patroa da Europa), nada fazem? E porquê? Terão medo do Sr. Putin ou o gás e o petróleo e os petro-rublos falam mais alto? Provavelmente sim, por isso que se lixe, são menos 300 bocas a comer! E que se lixem as famílias destroçadas, que imagino se devem sentir híper/mega/super revoltadas com esta indignidade,
Cá pela nossa CPLP, os oito ministros dos negócios estrangeiros decidiram por unanimidade aceitar a entrada da Guiné-Equatorial. Bravo. E porquê? Porque sempre foi um país ligado a Portugal, com fortes laços com a língua Portuguesa? Não. Apenas porque tem petróleo e necessita de uma porta de entrada no mundo civilizado. A Guiné equatorial fala português? Não. Disse (repito, disse!) que o português passou a ser a sua terceira língua oficial (nem a segunda que é francês a falam!) e até alterou o hino e tudo…mas sabem para que língua? Castelhano. Lindo! Constrói escolas? Não. Investe tudo na família do poder e nos seus negócios estranhos, megalómanos e ilegais. Tem uma justiça civilizada? Não, tem pena de morte (por sinal a mesma que o Sr. Cavaco condenou à Coreia do Norte, esta semana na visita aos vizinhos da Coreia do Sul).

Será que estes senhores que nos “regem” têm coluna vertebral? Será que têm cérebro? Há uma coisa que eu sei que eles não têm: “testículos”, para terem a dignidade de defender a ética, o respeito, a honra. São todos uma cambada de “agachadores”, pois tal como nos ensinaram os nossos antepassados, quando mais te “abaixares” mais se te vêem as cuecas. Mas eu acho que isso, eles já não usam, por decoro. Valha-nos isso.

domingo, 20 de julho de 2014

UNIÃO ECONÓMICA GLOBAL DO DINHEIRO

Hoje em dia muito se fala de corrupção, lavagem de dinheiro, contractos escandalosos, luvas, favores, cunhas, economia paralela, paraísos fiscais, entre outras terminologias, mas que todas se resumem apenas a identificar algo relacionado com a influência financeira. E como é feita essa influência financeira? Resposta básica e simples: com dinheiro, nomeadamente dinheiro vivo! Todos nós, pessoas, mas também empresas, manuseamos dinheiro. Todos nós temos dinheiro vivo (notas e moedas) e dinheiro virtual (contas bancárias, cartões de débito e crédito).
Hoje em dia, através das operações electrónicas, é relativamente fácil seguir o rasto do dinheiro – quem paga, quem recebe, que contas estão a ser utilizadas. O problema começa nos paraísos fiscais, que mais não são que pântanos, onde convenientemente se apaga o rasto do dinheiro, onde múltiplas entidades (normalmente de grande dimensão económica) podem esconder e lavar as suas aplicações com uma grande dose de segurança, que será impossível detectar as origens e destinos dessas avultadas quantias ou correr o risco de ser chamado a explicar esses movimentos, por alguma autoridade mundial de investigação. Quem são os seus clientes? Bancos, farmacêuticas, petrolíferas, produtores e vendedores de droga, políticos, profissionais liberais, políticos, governos e outros tubarões similares. Num espaço mais reduzido, como seja o nosso burgo, também é possível identificar outras operações, que se enquadram na fuga à legalidade, como seja o simples facto de não se passar factura (quem não conhece a velha história – se quiser com factura são mais 23% do IVA) ou as luvas, pelas mais diversas razões (todas elas obscuras, certamente).
Então não seria fácil criar uma “União Económica Global do Dinheiro” (ou o que lhe quiserem chamar), para acabar com o dinheiro real e passarmos todos a movimentar dinheiro virtual? Para os pagamentos grandes e médios, já temos cartões de pagamento, transferências electrónicas, cheques; para as pequenas transacções teríamos cartões de débito de baixo montante ou pagamentos usando os telefones inteligentes.
Este tipo de transacções só seria possível nos países que a ele aderissem, funcionando em circuito fechado. Qualquer entrada ou saída, desta economia global virtual teria que ser muito bem explicada e justificada.

Não acham que acabava (ou ficaria substancialmente reduzida) toda e qualquer actividade paralela, mais ou menos ilícita? Não acham que seria muito mais fácil controlar os rendimentos com os gastos e evitar assim sinais exteriores de riqueza ilegítimos? Não acham que neste sistema a situação tributária seria alargada, com evidentes benefícios para TODOS? Então porque não se aplica? Para meditar, mas provavelmente esbarra nos interesses instalados dos do costume – partidos políticos, grandes grupos económicos financeiros e industriais e outros similares.