Hoje
em dia muito se fala de corrupção, lavagem de dinheiro, contractos
escandalosos, luvas, favores, cunhas, economia paralela, paraísos fiscais, entre
outras terminologias, mas que todas se resumem apenas a identificar algo
relacionado com a influência financeira. E como é feita essa influência
financeira? Resposta básica e simples: com dinheiro, nomeadamente dinheiro vivo! Todos nós, pessoas, mas
também empresas, manuseamos dinheiro. Todos nós temos dinheiro vivo (notas e
moedas) e dinheiro virtual (contas bancárias, cartões de débito e crédito).
Hoje
em dia, através das operações electrónicas, é relativamente fácil seguir o
rasto do dinheiro – quem paga, quem recebe, que contas estão a ser utilizadas.
O problema começa nos paraísos fiscais, que mais não são que pântanos, onde
convenientemente se apaga o rasto do dinheiro, onde múltiplas entidades
(normalmente de grande dimensão económica) podem esconder e lavar as suas aplicações
com uma grande dose de segurança, que será impossível detectar as origens e
destinos dessas avultadas quantias ou correr o risco de ser chamado a explicar
esses movimentos, por alguma autoridade mundial de investigação. Quem são os
seus clientes? Bancos, farmacêuticas, petrolíferas, produtores e vendedores de
droga, políticos, profissionais liberais, políticos, governos e outros tubarões similares. Num espaço mais reduzido, como seja o nosso burgo, também é possível
identificar outras operações, que se enquadram na fuga à legalidade, como seja
o simples facto de não se passar factura (quem não conhece a velha história –
se quiser com factura são mais 23% do IVA) ou as luvas, pelas mais diversas razões
(todas elas obscuras, certamente).
Então
não seria fácil criar uma “União Económica Global do Dinheiro” (ou o que lhe
quiserem chamar), para acabar com o dinheiro real e passarmos todos a movimentar
dinheiro virtual? Para os pagamentos grandes e médios, já temos cartões de
pagamento, transferências electrónicas, cheques; para as pequenas transacções teríamos
cartões de débito de baixo montante ou pagamentos usando os telefones
inteligentes.
Este
tipo de transacções só seria possível nos países que a ele aderissem, funcionando
em circuito fechado. Qualquer entrada ou saída, desta economia global virtual
teria que ser muito bem explicada e justificada.
Não
acham que acabava (ou ficaria substancialmente reduzida) toda e qualquer
actividade paralela, mais ou menos ilícita? Não acham que seria muito mais
fácil controlar os rendimentos com os gastos e evitar assim sinais exteriores
de riqueza ilegítimos? Não acham que neste sistema a situação tributária seria
alargada, com evidentes benefícios para TODOS? Então porque não se aplica? Para
meditar, mas provavelmente esbarra nos interesses instalados dos do costume –
partidos políticos, grandes grupos económicos financeiros e industriais e outros
similares.
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