domingo, 20 de julho de 2014

UNIÃO ECONÓMICA GLOBAL DO DINHEIRO

Hoje em dia muito se fala de corrupção, lavagem de dinheiro, contractos escandalosos, luvas, favores, cunhas, economia paralela, paraísos fiscais, entre outras terminologias, mas que todas se resumem apenas a identificar algo relacionado com a influência financeira. E como é feita essa influência financeira? Resposta básica e simples: com dinheiro, nomeadamente dinheiro vivo! Todos nós, pessoas, mas também empresas, manuseamos dinheiro. Todos nós temos dinheiro vivo (notas e moedas) e dinheiro virtual (contas bancárias, cartões de débito e crédito).
Hoje em dia, através das operações electrónicas, é relativamente fácil seguir o rasto do dinheiro – quem paga, quem recebe, que contas estão a ser utilizadas. O problema começa nos paraísos fiscais, que mais não são que pântanos, onde convenientemente se apaga o rasto do dinheiro, onde múltiplas entidades (normalmente de grande dimensão económica) podem esconder e lavar as suas aplicações com uma grande dose de segurança, que será impossível detectar as origens e destinos dessas avultadas quantias ou correr o risco de ser chamado a explicar esses movimentos, por alguma autoridade mundial de investigação. Quem são os seus clientes? Bancos, farmacêuticas, petrolíferas, produtores e vendedores de droga, políticos, profissionais liberais, políticos, governos e outros tubarões similares. Num espaço mais reduzido, como seja o nosso burgo, também é possível identificar outras operações, que se enquadram na fuga à legalidade, como seja o simples facto de não se passar factura (quem não conhece a velha história – se quiser com factura são mais 23% do IVA) ou as luvas, pelas mais diversas razões (todas elas obscuras, certamente).
Então não seria fácil criar uma “União Económica Global do Dinheiro” (ou o que lhe quiserem chamar), para acabar com o dinheiro real e passarmos todos a movimentar dinheiro virtual? Para os pagamentos grandes e médios, já temos cartões de pagamento, transferências electrónicas, cheques; para as pequenas transacções teríamos cartões de débito de baixo montante ou pagamentos usando os telefones inteligentes.
Este tipo de transacções só seria possível nos países que a ele aderissem, funcionando em circuito fechado. Qualquer entrada ou saída, desta economia global virtual teria que ser muito bem explicada e justificada.

Não acham que acabava (ou ficaria substancialmente reduzida) toda e qualquer actividade paralela, mais ou menos ilícita? Não acham que seria muito mais fácil controlar os rendimentos com os gastos e evitar assim sinais exteriores de riqueza ilegítimos? Não acham que neste sistema a situação tributária seria alargada, com evidentes benefícios para TODOS? Então porque não se aplica? Para meditar, mas provavelmente esbarra nos interesses instalados dos do costume – partidos políticos, grandes grupos económicos financeiros e industriais e outros similares.

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