sábado, 10 de abril de 2021

A PROSTITUTA DA JUSTIÇA (OU UMA JUSTIÇA DE PROSTITUTAS?)


 Acho que o dia 9 de Abri de 2021, ficará indelevelmente marcado como um verdadeiro atentado à justiça. Começo por explicar alguns preâmbulos, de âmbito pessoal. Começo por dizer que acho a legislação portuguesa, uma amálgama de Leis e Decretos-Leis, elaboradas, por sucessivos Parlamentos e Governos, ao sabor dos acontecimentos, muitas vezes de uma forma precipitada e perfeitamente incipiente, que frequentemente, deixa a ideia de ter propositadamente muitos alçapões, para dar trabalho aos gabinetes de advogados, onde os deputados trabalham e outras vezes, feitas propositadamente para servir determinados interesses mais obscuros e inconfessáveis. O Código de Processo Penal, não fica atrás, na sua complexidade e enormidade de becos, que apenas servem para que a justiça seja ineficaz e célere, entupindo Tribunais e Secretarias de Tribunais, com atrasos inexplicáveis e cansativos, que apenas servem os objectivos de quem tem interesse que essa justiça não se execute e muitas vezes termine na prescrição, com todos os danos irreversíveis que isso acarreta para os lesados. Tive uma admiração pelo trabalho desenvolvido por José Sócrates no seu primeiro mandato como Primeiro-Ministro, pela lufada de ar fresco que trouxe para a governação portuguesa, indo muitas vezes contra os interesses corporativos instalados, como funcionários públicos, professores, médicos, laboratórios, entre outros; teve o mérito de iniciativas, como o Simplex, a aposta na digitalização e nas energias renováveis, as Novas Oportunidades. No entanto o segundo mandato foi o descalabro, provavelmente porque foi “atropelado” pelos tais interesses que quis desmantelar. Se não os pode vencer, Sócrates juntou-se a eles. E por fim, deixo a bosta em cima do bolo da corrupção. O Sr. Ricardo Salgado, uma figura muito sinistra, que foi (e ainda será?) a charneira de muitos interesses obscuros, que com os seus bolsos cheios de dinheiro sujo, distribua “favorzinhos” a quem lhe dava “favorzões”, com o beneplácito de todos os partidos e do Banco de Portugal. Não tenho muitas dúvidas que ele era (ainda será?) mesmo o DDT (Dono Disto Tudo!). E de certeza absoluta, sei que ele conseguiu destruir mais de 8 mil milhões de euros do erário público, através de todo o dinheiro já injectado no antigo Banco Espírito Santo, do qual esse energúmeno era o Presidente. Se fosse um homem com ética, respeito e educação e de origem japonesa, por muito menos do que destruiu em Portugal, por vergonha, já teria cometido Hara Kiri, mas como é ordinário, prefere pavonear-se na sua bela prisão domiciliária de Cascais. Feita esta declaração de interesses, volto ao início, do meu texto. A decisão de absolvição de José Sócrates, das acusações de corrupção de titular de órgão público, nomeadamente corrompido pelo Sr. Ricardo Salgado, apenas serve para se poder vir a branquear esse mesmo energúmeno, que depois de todas as trafulhices que fez, continua a estar em liberdade e vai acabar por se safar entre as gotas da chuva, no meio de inúmeros recursos, prescrições e outras coisas do género. Ontem confirmei algo muito importante que o Povo comenta, entre um café e um pastelinho de nata, que quando fizeres uma trafulhice, faz uma trafulhice em grande. Enganar o fisco numa declaração de IRS, pode dar coimas e até prisão por fraude fiscal, para um cidadão comum, mas ter um incremento patrimonial de 34 milhões de euros, sem qualquer justificação, não é passível de pena, pois no meio de uma mega investigação, acabou por prescrever. VERGONHA!!! Vergonha para a ineficácia da justiça, embrulhada nas suas próprias teias legislativas e de interesses, nem sempre compatíveis com aquilo que deveriam valorizar: a VERDADE e a JUSTIÇA!! José Sócrates, foi apenas mais um peão nas mãos do verdadeiro bandido, que dá pelo nome de Sr. Ricardo Salgado. Querem apostar que este bandido de colarinho branco, nunca irá bater com os costados numa prisão? Espero bem perder a minha aposta, para que de alguma forma ainda possa acreditar na nossa Justiça.

domingo, 4 de abril de 2021

RUI NABEIRO (DELTA) - UM VISIONÁRIO EXEMPLAR


Recentemente o (Comendador) Sr. Rui Nabeiro, completou 90 anos de vida e quase outros tantos a liderar uma indústria de cafés, lider absoluta em Portugal e um grande operador no Sul da Europa e nalguns outros locais, nomeadamente onde existem fortes comunidades de Lusitanos. Em determinada altura da minha vida profissional, tive o prazer de o conhecer pessoalmente e de durante muitos anos ser comprador dos Cafés Delta e desde sempre senti, estar perante uma pessoa diferente, pelo seu positivismo, sinceridade, generosidade e uma empresa bastante inovadora nos seus processos. Estamos a falar de uma pessoa que fez a antiga quarta classe, mas que se soube licenciar, mestrar e doutorar, com a vida, com o seu trabalho, a sua visão, o seu empreendorismo empírico, mas genuíno, sério e esforçado. Soube fazer do contacto pessoal, uma ferramenta que alavanca o seu negócio, sempre com rigor, verdade, associado a um conhecimento único do negócio do café. O seu sonho, a sua alegria, sempre mesclada com muita humildade, fizeram com que Campo Maior, uma pequena (hoje) vila, tenha 8000 habitantes, uma excelente qualidade de vida, uma das maiores natalidades de Portugal, sem autoestradas, grandes centros de decisões ou mesmo uma linha de caminho de ferro. Valeu sempre a sua aposta nas pessoas, no trabalho leal e honesto, sendo transparente para com todos os interlocutores e pensar sempre em frente. Este Senhor é um exemplo vivo, com quem muito boa gente devia aprender, se realmente tiverem a ambição de criar um mundo melhor, mais feliz e mais solidário! As minhas palavras pouco mais podem acrescentar e melhor que as minhas palavras é ouvir estes 37 minutos de entrevista do jornalista, José Alberto Carvalho e transmitida na TVI, ao Sr. Rui Nabeiro. Uma peça de felicidade, esperança, altruísmo e pensar mais alto! Bem haja, Sr. Rui Nabeiro. Abaixo o link da entrevista:

https://tvi24.iol.pt/videos/especial-24-entrevista-a-rui-nabeiro/606101280cf277cf82bea387




domingo, 10 de janeiro de 2021

BIG BROTHER DAS PRESIDENCIAIS


Em plena crise de sucessão na presidência americana, com as trapalhadas (para não usar outros termos mais violentos, mas provavelmente adequados) que o Sr. Trump tem arranjado, por manifesta falta de educação, ética e saber viver em sociedade, estamos no incio da corrida para a sucessão de presidente do país que eu gosto, que se chama Portugal. Pela negativa, podemos ver a categoria dos politicos que nos governam. O apelidado, mais importante presidente do mundo, supostamente o americano (mas na realidade, é o chinês) deu-nos o exemplo daquilo que não se deve fazer em nenhuma circunstância da nossa vida, que é semear a discórdia, usar o insulto, a provocação, provocar a confusão, mentir com os dentes todos, entre outros epítetos, coisas que se reflectem com mais ou menos intensidade por todo o mundo, infelizmente de uma forma cada vez mais “normal”.

Os 22 debates que decorreram entre os 7 candidatos para presidente da República, do nosso Portugal, decorreram de uma forma amorfa em termos de ideias, vivos em termos de ofensas, ocos em termos de projectos interessantes para o futuro do nosso país. Teóricamente, já sabemos quem vai ganhar as eleições, o Sr. Sousa. A única questão é saber se haverá segunda volta. A vedeta desta campanha é o Sr. Ventura, pois estão todos contra ele, por razões que ainda não entendi bem e não me venham dizer que é por causa de ser um “fascista”. Que se saiba, neste momento, o Chega é um partido tão legal como qualquer outro, o candidato Sr. Ventura é tão legal como outro qualquer. Parece que todos têm medo do resultado, que (mais) um partido fora do sistema, pode provocar nas forças instaladas. A Sra. Gomes, é provavelmente, a politicamente mais experiente, mas concorre a estas eleições, como uma filha bastarda do seu partido, fruto dos ódios viscerais, que tem dentro de algumas facções do partido socialista, nomeadamente com o primeiro ministro, o Sr. Costa, que preferiu o mais fácil, em vez de apresentar uma verdadeira candidatura à esquerda. O Sr. Ferreira, apoiado pelo partido comunista, é mais do mesmo. Ouvir este senhor hoje ou ouvir o Sr. Pato, candidato presidencial comunista em 1976, é exactamente a mesma coisa. A Sra. Matias, pelo Bloco de Esquerda, é deprimente a falta de carisma, a falta de energia, mais parecendo estar apenas a utilisar tempo de antena, numa extensão parlamentar do partido que representa. O Sr. Mayan, da Iniciativa Liberal, pode ser um excelente advogado, mas nunca poderá ser um bom presidente. Pode ser até dos que mais ideias tem para um futuro mandato e até consegue aglutinar uma certa direita, que não se revê na candidatura do Sr. Ventura, piscando assim um olho a certo eleitorado do partido social democrata e do centro social democrata. Para o fim guardei o Sr. Silva (o Tino de Rans, não o outro), um homem simples, mas com ideias claras, que sabe o que custa a vida à grande maioria do povo português. Por detrás de um calceteiro assumidamente gago na fala (especialmente quando está nervoso), está uma grande alma e uma mente que pensa rápido e sagazmente. Aceito que pode não reunir todas as exigências, para o lugar a que se candidata, mas provavelmente é aquele que granjeia mais simpatia, o que não é directamente proporcional a votos, porque no dia 24, apesar de todos os queixumes do povo, vai voltar a ser mais do mesmo, infelizmente.

Os debates principais, entre os três potenciais candidatos (se houver) a uma segunda volta, o Sr. Sousa, o Sr. Ventura e a Sra. Gomes, demonstraram um tom demasiado achincalheiro, assaz reles, baseado no insulto, na insinuação, no curto prazo. O Sr. Sousa assumiu, o tom paternal de quem pensa que vai ganhar por 10-0, só faltando tirar selfies e dar beijinhos aos outros candidatos, apenas tendo saido dos carrís, por escassos minutos, uma vez com cada um dos outros dois candidatos. A Sra. Gomes, nomeadamente com o Sr. Ventura, descarrilou completamente batendo em teclas já muitos gastas, mas que nada acrescenta ao debate de ideias. O Sr. Ventura, cavalga em cima da onda populista, sempre com um discurso muito igual, sobre os ciganos, o povo que trabalha e pouco mais. Foi o ídolo (talvez pela negativa) destes debates e claramente está a trabalhar, para as próximas eleições parlamentares. A Sra. Matias e o Sr. Ferreira, muito provavelmente vão desisitir à última da hora, para a Sra. Gomes, para tentarem salvar a honra da esquerda. O Sr. Mayan, terá provavelmente um resultado insignificante, nem sei se não ficará atrás do Sr. Silva, o candidato da simpatia e com a campanha, menos bem elaborada, por falta de recursos e apoios partidários, mas muito mais meritória por isso mesmo.

Talvez de pouco adiante, mas ficarei contente se houver uma segunda volta, para o Sr. Sousa, não pensar que é o Rei da “Cantadeira” e ver muito boa gente a engolir sapos, a ter que dar apoio à Sra. Gomes ou ao Sr. Ventura. Se houver segunda volta e for com a Sra. Gomes, a coisa pode não ser um passeio para o Sr. Sousa (relembro-me de uma célebre eleição Mário Soares-Freitas do Amaral, em 1986).

De qualquer das formas, seja quem for que ganhe, vamos todos ter que votar no “menos mau”, o que cada vez mais é uma realidade, mas muito triste. Ninguém consegue olhar para o futuro e ser um verdadeiro timoneiro, porque não passam todos de marinheiros fluviais, com pretensões a vagas de mar alto. Não resulta!

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

CARLOS DO CARMO, UM SENHOR!


Hoje fiquei mais pobre e triste, assim como Lisboa, Portugal e, sobretudo o FADO! O fado essa canção, que nos sai da alma, expressando uma alma única, que é a Portuguesa. Dizem que é uma canção triste. Talvez o seja, mas também é uma canção de festa, mas sempre, exultando o Amor. Pode ser o Amor triste, de quem partiu e aí hoje teremos que cantar um fado para o Sr. Carlos do Carmo. Pode ser o fado que fala do amor que partiu, do amor não correspondido, duma cidade, duma mocidade, duma festa, dum Santo, mas acima de tudo é falar de Portugal, das nossas memórias, das boas memórias, sem saudosimos. Que bom, é entrar numa casa de fados, comer um chouriço assado, beber um bom tinto e fazer silêncio, para ouvir o artista. Fechar os olhos e beber a poesia, cantada por quem a sente. Que bom é ouvir o castiço fado vadio, numa qualquer tasca, dum tipico bairro. Que bom é sentir o peso da fidalguia e da tradição, numa boa festa, seja ela a do Colete Encarnado, em Vila Franca de Xira, em dia de touros e touradas ou na Feira da Golegã , em dia de São Martinho, entre cavalos e castanhas assadas. O fado é de Lisboa, sem esquecer Coimbra, mas mais do que do duma cidade, o fado é de Portugal, o fado é do Mundo, bastando haver um Lusitano, que se revê e sente bem, no nosso cantinho à beira mar plantado, sempre com a saudade da terra. Se o nosso fado, é hoje património imaterial da Unesco, a Carlos do Carmo o devemos, pelo esforço e determinação, que em conjunto com a equipa do Museu do Fado e outras pessoas do meio, com que se envolveu neste desiderato. Eu gostava de Carlos do Carmo, pela sua cultura, pela sua simpatia, pelo seu humor, pelo profissionalismo que punha em tudo o que fazia, especialmente tudo o que tivesse a haver com a sua arte, o fado. Só nunca compreendi, porque não gostava que as pessoas batessem palmas, enquanto cantava, mas enfim, isso agora não interessa para nada. Era o Sr. Carlos do Carmo! Até sempre. Dê os meus cumprimentos a Amália, ao Ti Marceneiro e ao Paredes. Bem haja CC!