Em plena crise de sucessão na presidência americana, com as trapalhadas (para não usar outros termos mais violentos, mas provavelmente adequados) que o Sr. Trump tem arranjado, por manifesta falta de educação, ética e saber viver em sociedade, estamos no incio da corrida para a sucessão de presidente do país que eu gosto, que se chama Portugal. Pela negativa, podemos ver a categoria dos politicos que nos governam. O apelidado, mais importante presidente do mundo, supostamente o americano (mas na realidade, é o chinês) deu-nos o exemplo daquilo que não se deve fazer em nenhuma circunstância da nossa vida, que é semear a discórdia, usar o insulto, a provocação, provocar a confusão, mentir com os dentes todos, entre outros epítetos, coisas que se reflectem com mais ou menos intensidade por todo o mundo, infelizmente de uma forma cada vez mais “normal”.
Os 22 debates que decorreram entre os 7 candidatos para presidente da
República, do nosso Portugal, decorreram de uma forma amorfa em termos de
ideias, vivos em termos de ofensas, ocos em termos de projectos interessantes
para o futuro do nosso país. Teóricamente, já sabemos quem vai ganhar as
eleições, o Sr. Sousa. A única questão é saber se haverá segunda volta. A
vedeta desta campanha é o Sr. Ventura, pois estão todos contra ele, por razões
que ainda não entendi bem e não me venham dizer que é por causa de ser um “fascista”.
Que se saiba, neste momento, o Chega é um partido tão legal como qualquer
outro, o candidato Sr. Ventura é tão legal como outro qualquer. Parece que
todos têm medo do resultado, que (mais) um partido fora do sistema, pode
provocar nas forças instaladas. A Sra. Gomes, é provavelmente, a politicamente
mais experiente, mas concorre a estas eleições, como uma filha bastarda do seu
partido, fruto dos ódios viscerais, que tem dentro de algumas facções do
partido socialista, nomeadamente com o primeiro ministro, o Sr. Costa, que
preferiu o mais fácil, em vez de apresentar uma verdadeira candidatura à
esquerda. O Sr. Ferreira, apoiado pelo partido comunista, é mais do mesmo.
Ouvir este senhor hoje ou ouvir o Sr. Pato, candidato presidencial comunista em
1976, é exactamente a mesma coisa. A Sra. Matias, pelo Bloco de Esquerda, é
deprimente a falta de carisma, a falta de energia, mais parecendo estar apenas
a utilisar tempo de antena, numa extensão parlamentar do partido que
representa. O Sr. Mayan, da Iniciativa Liberal, pode ser um excelente advogado,
mas nunca poderá ser um bom presidente. Pode ser até dos que mais ideias tem
para um futuro mandato e até consegue aglutinar uma certa direita, que não se
revê na candidatura do Sr. Ventura, piscando assim um olho a certo eleitorado
do partido social democrata e do centro social democrata. Para o fim guardei o
Sr. Silva (o Tino de Rans, não o outro), um homem simples, mas com ideias claras, que
sabe o que custa a vida à grande maioria do povo português. Por detrás de um
calceteiro assumidamente gago na fala (especialmente quando está nervoso), está uma grande alma e uma mente que pensa rápido e sagazmente. Aceito que pode não
reunir todas as exigências, para o lugar a que se candidata, mas provavelmente
é aquele que granjeia mais simpatia, o que não é directamente proporcional a
votos, porque no dia 24, apesar de todos os queixumes do povo, vai voltar a ser
mais do mesmo, infelizmente.
Os debates principais, entre os três potenciais candidatos (se houver) a
uma segunda volta, o Sr. Sousa, o Sr. Ventura e a Sra. Gomes, demonstraram um
tom demasiado achincalheiro, assaz reles, baseado no insulto, na insinuação, no
curto prazo. O Sr. Sousa assumiu, o tom paternal de quem pensa que vai ganhar
por 10-0, só faltando tirar selfies e dar beijinhos aos outros candidatos,
apenas tendo saido dos carrís, por escassos minutos, uma vez com cada um dos
outros dois candidatos. A Sra. Gomes, nomeadamente com o Sr. Ventura,
descarrilou completamente batendo em teclas já muitos gastas, mas que nada
acrescenta ao debate de ideias. O Sr. Ventura, cavalga em cima da onda
populista, sempre com um discurso muito igual, sobre os ciganos, o povo que
trabalha e pouco mais. Foi o ídolo (talvez pela negativa) destes debates e
claramente está a trabalhar, para as próximas eleições parlamentares. A Sra.
Matias e o Sr. Ferreira, muito provavelmente vão desisitir à última da hora,
para a Sra. Gomes, para tentarem salvar a honra da esquerda. O Sr. Mayan, terá
provavelmente um resultado insignificante, nem sei se não ficará atrás do Sr.
Silva, o candidato da simpatia e com a campanha, menos bem elaborada, por falta
de recursos e apoios partidários, mas muito mais meritória por isso mesmo.
Talvez de pouco adiante, mas ficarei contente se houver uma segunda volta,
para o Sr. Sousa, não pensar que é o Rei da “Cantadeira” e ver muito boa gente
a engolir sapos, a ter que dar apoio à Sra. Gomes ou ao Sr. Ventura. Se houver
segunda volta e for com a Sra. Gomes, a coisa pode não ser um passeio para o
Sr. Sousa (relembro-me de uma célebre eleição Mário Soares-Freitas do Amaral,
em 1986).
De qualquer das formas, seja quem for que ganhe, vamos todos ter que votar
no “menos mau”, o que cada vez mais é uma realidade, mas muito triste. Ninguém
consegue olhar para o futuro e ser um verdadeiro timoneiro, porque não passam todos de
marinheiros fluviais, com pretensões a vagas de mar alto. Não resulta!

