domingo, 3 de agosto de 2014

VAMOS BRINCAR AOS POBREZINHOS

Recordo-me que o Verão passado uma das Kiki´s da família Espirito Santo, numa entrevista à revista do Expresso, do alto da sua falta de educação e decoro, zombeteiramente disse que gostava de ir para a Comporta passar férias, para brincar aos pobrezinhos. Essa reportagem era engalanada com umas belas fotos de um tanque/piscina onde a família se divertia. De certeza que os frigoríficos estavam cheios, os empregados tomavam conta da comida e da limpeza, portanto como podeis imaginar – tudo à pobrezinha!! Não sou invejoso, nem sou rancoroso, mas não gostei de ver esta entrevista, num momento em que a grande maioria das famílias portuguesas contava os tostões para ir uma semanita de férias “cá dentro”, em plena crise económica e financeira, não só pelo momento, como também pela petulância.
Um ano volvido, parece que a Senhora vai literalmente passar férias de pobrezinha. Pela parte pedagógica da coisa digo: “…muito bem feita!”. No entanto essa pequena vingança (confesso-o) não me sabe bem, sabendo as causas (e ainda desconhecendo, todas as consequências). É na verdade arrepiante, como um grupo de pessoas, consegue destruir tanta riqueza, sobressaltar a economia dum país, pôr em risco milhares de postos de trabalho. Penso que tal só é possível com a conivência (e respectivo proveito) de muito “boa” gente. Tenho sincera pena que a justiça em Portugal não seja tão célere, nem tão eficaz, como a americana, para que (caso se confirme e prove) esta senhora e mais os seus primos e tios todos, passassem já este verão na cadeia, para experimentarem fazer férias “à prisioneiro”.
É inconcebível que a ganância humana (e porque não dizer a estupidez) chegue tão baixo. Os antepassados Espirito Santo, devem estar a dar voltas nas tumbas (e com toda a razão!). É impressionante como meia dúzia de “gajos com a mania de que são os maiores”, conseguiram esconder tanto dinheiro (sim, parte dele tem que estar em algum lado), ludibriar tantos investidores, chantagear tantos clientes e de mansinho irem praticando as suas influências económicas, junto de quem lhes dava vassalagem e lhes proporcionava negócios chorudos.

Muito deste dinheiro indirectamente saiu dos nossos impostos, sim, dos impostos daquela grande maioria que trabalha honestamente, no seu dia-a-dia, tentando ajudar a que um país se recomponha. Pena que depois em cada esquina, se vá descobrindo estas “encavadelas”, que nasceram impunemente e provavelmente terão uma morte idêntica.

domingo, 27 de julho de 2014

AS CUECAS DOS NOSSOS ESTADISTAS

Realmente tenho pena de que hoje já não tenhamos referências nos grandes estadistas mundiais. Gandhi, Churchill, Eisenhower, Kennedy, Mandela, o Papa João XXI, entre outros. Foram pessoas que entenderam que servir o Estado, a sociedade e um país, era apenas isso e nada mais do que isso. Foram pessoas com uma visão de médio-longo prazo, nada preocupados com as próximas eleições. Foram pessoas que impuseram a sua integridade e capacidade de decisão, independentemente dos interesses envolvidos, incluindo os seus próprios. Foram pessoas que não se deixaram vergar aos seus inimigos e pseudo-amigos, que não se deixaram subornar, financeiramente e moralmente e alguns deles, até sentiram na pele, essa sua persistência.
Serve isto para comentar dois factos que me envergonham: no plano internacional, que teria acontecido se a Líbia, nos velhos tempos do Sr. Khadafi, tivesse abatido (mais) um avião em espaço europeu e morto quase 300 pessoas? Invasão, certamente, baseada em riscos de ameaça da segurança mundial e escudada em criteriosas informações dos serviços secretos sobre armas químicas, nucleares e outras coisas similares. Os rebeldes da Ucrânia, a mando da Rússia e com tropas (ok, estes não ostentam as insígnias) suas e equipamentos militares seus, abateram um avião civil, mataram 300 inocentes, brincam com as autoridades e instâncias mundiais, vedando o acesso ao local do atentado e que acontece? Nada!! Muitas conversações, muitas reuniões, muitas “sançõezinhas” e apenas me ocorre uma palavra não ofensiva: “palhaçada” (com todo o respeito pelos verdadeiros artistas desta nobre profissão). Será que o Sr. Obama e a Sra. Merkel (a patroa da Europa), nada fazem? E porquê? Terão medo do Sr. Putin ou o gás e o petróleo e os petro-rublos falam mais alto? Provavelmente sim, por isso que se lixe, são menos 300 bocas a comer! E que se lixem as famílias destroçadas, que imagino se devem sentir híper/mega/super revoltadas com esta indignidade,
Cá pela nossa CPLP, os oito ministros dos negócios estrangeiros decidiram por unanimidade aceitar a entrada da Guiné-Equatorial. Bravo. E porquê? Porque sempre foi um país ligado a Portugal, com fortes laços com a língua Portuguesa? Não. Apenas porque tem petróleo e necessita de uma porta de entrada no mundo civilizado. A Guiné equatorial fala português? Não. Disse (repito, disse!) que o português passou a ser a sua terceira língua oficial (nem a segunda que é francês a falam!) e até alterou o hino e tudo…mas sabem para que língua? Castelhano. Lindo! Constrói escolas? Não. Investe tudo na família do poder e nos seus negócios estranhos, megalómanos e ilegais. Tem uma justiça civilizada? Não, tem pena de morte (por sinal a mesma que o Sr. Cavaco condenou à Coreia do Norte, esta semana na visita aos vizinhos da Coreia do Sul).

Será que estes senhores que nos “regem” têm coluna vertebral? Será que têm cérebro? Há uma coisa que eu sei que eles não têm: “testículos”, para terem a dignidade de defender a ética, o respeito, a honra. São todos uma cambada de “agachadores”, pois tal como nos ensinaram os nossos antepassados, quando mais te “abaixares” mais se te vêem as cuecas. Mas eu acho que isso, eles já não usam, por decoro. Valha-nos isso.

domingo, 20 de julho de 2014

UNIÃO ECONÓMICA GLOBAL DO DINHEIRO

Hoje em dia muito se fala de corrupção, lavagem de dinheiro, contractos escandalosos, luvas, favores, cunhas, economia paralela, paraísos fiscais, entre outras terminologias, mas que todas se resumem apenas a identificar algo relacionado com a influência financeira. E como é feita essa influência financeira? Resposta básica e simples: com dinheiro, nomeadamente dinheiro vivo! Todos nós, pessoas, mas também empresas, manuseamos dinheiro. Todos nós temos dinheiro vivo (notas e moedas) e dinheiro virtual (contas bancárias, cartões de débito e crédito).
Hoje em dia, através das operações electrónicas, é relativamente fácil seguir o rasto do dinheiro – quem paga, quem recebe, que contas estão a ser utilizadas. O problema começa nos paraísos fiscais, que mais não são que pântanos, onde convenientemente se apaga o rasto do dinheiro, onde múltiplas entidades (normalmente de grande dimensão económica) podem esconder e lavar as suas aplicações com uma grande dose de segurança, que será impossível detectar as origens e destinos dessas avultadas quantias ou correr o risco de ser chamado a explicar esses movimentos, por alguma autoridade mundial de investigação. Quem são os seus clientes? Bancos, farmacêuticas, petrolíferas, produtores e vendedores de droga, políticos, profissionais liberais, políticos, governos e outros tubarões similares. Num espaço mais reduzido, como seja o nosso burgo, também é possível identificar outras operações, que se enquadram na fuga à legalidade, como seja o simples facto de não se passar factura (quem não conhece a velha história – se quiser com factura são mais 23% do IVA) ou as luvas, pelas mais diversas razões (todas elas obscuras, certamente).
Então não seria fácil criar uma “União Económica Global do Dinheiro” (ou o que lhe quiserem chamar), para acabar com o dinheiro real e passarmos todos a movimentar dinheiro virtual? Para os pagamentos grandes e médios, já temos cartões de pagamento, transferências electrónicas, cheques; para as pequenas transacções teríamos cartões de débito de baixo montante ou pagamentos usando os telefones inteligentes.
Este tipo de transacções só seria possível nos países que a ele aderissem, funcionando em circuito fechado. Qualquer entrada ou saída, desta economia global virtual teria que ser muito bem explicada e justificada.

Não acham que acabava (ou ficaria substancialmente reduzida) toda e qualquer actividade paralela, mais ou menos ilícita? Não acham que seria muito mais fácil controlar os rendimentos com os gastos e evitar assim sinais exteriores de riqueza ilegítimos? Não acham que neste sistema a situação tributária seria alargada, com evidentes benefícios para TODOS? Então porque não se aplica? Para meditar, mas provavelmente esbarra nos interesses instalados dos do costume – partidos políticos, grandes grupos económicos financeiros e industriais e outros similares.

sábado, 21 de junho de 2014

ATITUDE

Estou a ver o jogo do mundial Alemanha-Gana, que está empatado neste momento. Estou encantado com a maneira como o Gana está a jogar, mostrando uma coesão e uma determinação impressionantes. Não estão nada amedrontados, com a equipa que deu 4-0 a Portugal, a selecção do dito craque Ronaldo. Primeira nota: não discuto nada e até tenho imenso orgulho de termos um jogador do calibre do CR7 a jogar por Portugal, sendo considerado o melhor jogador do mundo. Segunda consideração: o futebol é um jogo de equipa com 11 elementos no campo e muitos mais fora do mesmo, que ajudem a que se concretize o objectivo do jogo: ganhar!
Portugal exibiu uma posição sobranceira, porque pensava que bastava ter o CR7 e tudo estava ganho; isso resultou numa aberrante falta de motivação, quase raiando o desprezo pelo emblema que têm ao peito. Aliás, começou logo quanto se cantou o hino. Continuam a não saber cantá-lo e mais grave não o respeitam, pois ainda não tinha acabado e já estavam a sair da formação e a olhar para os ecrãs para ver se tinham o penteado no sitio. Por isso fomos tudo, menos uma equipa. Até a indisciplina esteve presente, com a inadmissível e indesculpável cabeçada do Pepe. Moral da história: foi o exemplo típico de que quando algo pode correr mal, então tudo vai correr mal e para mim tudo reside na atitude dos jogadores, que em nenhum momento conseguiram jogar, pensar e actuar em conjunto. Acabe-se com o protagonismo do Ronaldo, que para mais está debaixo do efeito de uma severa lesão (que inclusivé lhe pode trazer problemas graves no futuro) e unam-se em torno do objectivo do futebol, jogando como uma equipa. Também não podemos descurar que o planeamento poderá não ter sido o melhor, pois em vez de adaptar o mais cedo possível a equipa às condições climatéricas distintas de que a maior parte dos jogadores está habituada, decidiu-se andar a "passear" pelos EUA, para adaptar ao fuso - viram o cogumelo e esqueceram-se da floresta (neste caso o calor e a humidade).
Este exemplo pode ser transposto para uma empresa: se estiverem à espera que os resultados caiem do céu, que existe alguém que tem uma varinha mágica, se o planemaneto for apenas uma mesquinhice de uns quantos chatos, se não existir  disciplina e um comando claro, as empresas falham claramente. E o mesmo se pode extrapolar para a politica, excatamente com os mesmo termos.
E não esperem nada da sorte; até a sorte dá trabalho. A sorte só acontece se a procurar-mos com muito trabalho e objectividade.
Voltando ao futebol, não foi só Portugal a sofrer com determinações erradas - outros dois monstros já estão de fora: Espanha e Inglaterra. Espero que esta lista não engrosse com Portugal, pois estou de acordo quando se diz, que maus principios, com a atitude certa, se podem transformar em finais felizes. Vamos embora Portugal, joguem como equipa e com uma atitude positiva podem lá chegar. Ponham os olhos no Gana e no Irão, que hoje tambem deu um exemplo de preserverança, frente à toda poderosa Argentina (apesar de no final ter sossobrado).