quarta-feira, 30 de novembro de 2016

FIDEL CASTRO


Morreu Fidel Castro. Para uns, um ditador, para outros, um herói da revolução cubana. Não vou discutir, porque nunca chegaria a conclusão nenhuma. Hoje em dia, cada vez mais estas estéreis discussões, terminam num polarismo sem conclusões. No entanto, não posso deixar a minha palavra de apreço a alguém que foi icónico e carismático, mas que acima de tudo teve duas coisas que me fascinam: a primeira a coerência aos seus princípios, aos seus ideais e às suas convicções, sem ceder ao facilitismo e acima de tudo sem se vergar sobre outros poderes, nomeadamente o económico, que o pressionaram de uma forma impensável. Admiro-o pela sua verticalidade, ética e desapego ao luxo ou ostentação. O segundo motivo de reverência, foi o facto de uma forma, que pode ser discutível, ter saído do poder por sua vontade, na forma e no tempo que entendeu, tendo mantido intacta a sua áurea de Comandante, nunca mais tendo interferido nos desígnios de Cuba.
Outra coisa que tenho a certeza, é que aquela bela ilha, tem um povo maravilhoso, pela sua simpatia e simplicidade, muito genuínas e que mesmo com todos os bloqueios impostos, conseguiu sobreviver, manter o seu sorriso e alegria, com um sistema educativo irrepreensível, famoso nas áreas do desporto e da medicina, mundialmente reconhecido. Economicamente, não é um país rico, mas consegue sobreviver com todas as dificuldades.

Morreu outro Homem, que soube lutar e moldar os destinos do Mundo, sem se vergar aos interesses económicos e políticos. Só por isso, merece toda a minha estima e admiração. Tomara os políticos hoje, chegaram em honestidade, educação e cultura, aos calcanhares dele. Hasta Siempre Comandante!!

sexta-feira, 27 de maio de 2016

OS POLÍTICOS GELATINA

Continuo a ver a situação global de uma forma bizarra. As diferenças entre ricos e pobres estão a acentuar-se e isso não prognostica nada de bom para o nosso futuro. Está provado que para a sociedade evoluir de uma forma pacífica e sustentada é preciso existir uma classe média forte e que ocupe o espectro mais importante da sociedade, deixando nos seus opostos duas pequenas faixas para a riqueza e (infelizmente) a pobreza. A classe dirigente é muito mole, apostando sempre no politicamente correcto e na subserviência ao poder económico – o verdadeiro mandante dos nossos destinos, não havendo por isso a coragem de fazer as reformas necessárias e marcar o caminho, baseado numa visão de médio/longo prazo consistente e consensual, tendo em vista o objectivo da felicidade da grande maioria da população mundial, ao invés de bajular os calcanhares de apenas alguns “híper-mega-super ricos”, que tudo querem, mas nada dão.

Tenho visto no entanto o surgimento de uma nova classe política, apostada em reformar os cânones actuais, embora nem sempre de uma forma digna, mas que tem a vantagem de agitar as águas. Esse abanão é seguido de uma forma impressionante por grandes franjas da população, embora nem sempre porque compartilhem dos ideais expressos por esses políticos, mas antes porque projectam neles, a sua revolta com o estado da vida e do seu espirito. Esses novos Messias estão normalmente encostados à extrema esquerda (os casos de Espanha, com o “Podemos”) ou maioritariamente à direita (Familia Le Pen em França, mas também na Áustria, Alemanha e do outro lado do Atlântico com Donald Trump), entre muitos outros exemplos. Estes fenómenos que têm a vantagem de terminar com os blocos centrais e demasiadamente estáveis, têm no entanto o risco de nos porem no caminho de ditaduras, conforme a história tem mostrado, mas dou-lhes o bem-haja, para ver se corremos com estas cambada de parasitas dos governos nacionais e do governo europeu em Bruxelas, pandilha de corruptos, mentirosos, vaidosos, apenas preocupados com o “eu” (com algumas excepções) em vez de pensarem no progresso e no desenvolvimento sustentado.