Continuo a ver a situação global
de uma forma bizarra. As diferenças entre ricos e pobres estão a acentuar-se e
isso não prognostica nada de bom para o nosso futuro. Está provado que para a
sociedade evoluir de uma forma pacífica e sustentada é preciso existir uma
classe média forte e que ocupe o espectro mais importante da sociedade,
deixando nos seus opostos duas pequenas faixas para a riqueza e (infelizmente) a
pobreza. A classe dirigente é muito mole, apostando sempre no politicamente
correcto e na subserviência ao poder económico – o verdadeiro mandante dos
nossos destinos, não havendo por isso a coragem de fazer as reformas
necessárias e marcar o caminho, baseado numa visão de médio/longo prazo
consistente e consensual, tendo em vista o objectivo da felicidade da grande
maioria da população mundial, ao invés de bajular os calcanhares de apenas
alguns “híper-mega-super ricos”, que tudo querem, mas nada dão.
Tenho visto no entanto o
surgimento de uma nova classe política, apostada em reformar os cânones
actuais, embora nem sempre de uma forma digna, mas que tem a vantagem de agitar
as águas. Esse abanão é seguido de uma forma impressionante por grandes franjas
da população, embora nem sempre porque compartilhem dos ideais expressos por
esses políticos, mas antes porque projectam neles, a sua revolta com o estado
da vida e do seu espirito. Esses novos Messias estão normalmente encostados à
extrema esquerda (os casos de Espanha, com o “Podemos”) ou maioritariamente à
direita (Familia Le Pen em França, mas também na Áustria, Alemanha e do outro
lado do Atlântico com Donald Trump), entre muitos outros exemplos. Estes
fenómenos que têm a vantagem de terminar com os blocos centrais e
demasiadamente estáveis, têm no entanto o risco de nos porem no caminho de
ditaduras, conforme a história tem mostrado, mas dou-lhes o bem-haja, para ver
se corremos com estas cambada de parasitas dos governos nacionais e do governo
europeu em Bruxelas, pandilha de corruptos, mentirosos, vaidosos, apenas
preocupados com o “eu” (com algumas excepções) em vez de pensarem no progresso e no desenvolvimento
sustentado.
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