domingo, 19 de abril de 2020

SUSPENDER A VIDA


Meu Caro, Sr. Marcelo Rebelo de Sousa, Presidente do meu País,
reconheço que já tive mais admiração por si, do que tenho hoje. Admirei muito a primeira parte do seu mandato, já que soube manter a sua postura de Presidente de todos! os Portugueses, sabendo estar sempre a nosso lado, aonde e quando foi preciso, sem medos, fazendo com que nos sentíssemos, um de si, já que o Sr. sabia ser um de nós. Depois entrou numa rampa descendente, que apesar de ser popularmente simpático, talvez o tenha feito esquecer um pouco da dignidade do seu cargo, que por vezes obriga e merece, que tenha uma determinada distância da vida real.
Mas hoje endereço-lhe um singelo pedido. A bem de todos nós, que amamos Portugal, tenha o bom senso de dizer não, a um bando de irresponsáveis, que seguem parados em 1977, que 46 anos volvidos insistem (e noutras circunstâncias, talvez bem), em celebrar algo que garantidamente no contexto actual é um perfeito disparate! São provavelmente os mesmos que acharam que o 1º de Dezembro (dia da Independência, face ao jugo Castelhano) não era um dia importante e decidiram suspender este feriado; são provavelmente os mesmos que obrigaram (e bem) os Portugueses a ficar em casa, suspendendo as celebrações da Páscoa, do 13 de Maio, sem irem à praia para o Algarve, ao trabalho, ao futebol, à escola, aos concertos, a passear nas nossas belas marginais, cheias de iodo e belo sol, instituindo um rigoroso período de confinamento, durante esta malvada pandemia, que tiveram o bom senso de suspender as nossas vidas. São provavelmente os mesmos que falam de direitos Constitucionais e nomeadamente da famosa proporcionalidade. Mas são agora, os mesmos, que obstinadamente (na Moita do Ribatejo, chama-se “querença”, quando os bois marram em não sair do mesmo sítio), acham que a proporcionalidade é fazer o que eu digo, mas não fazer o que eu faço, teimando em celebrar, através duma bela festa na Casa da Democracia, o 25 de Abril.
Respeitem o Povo, essa é garantidamente a melhor resposta e apoio ao povo que tem sabido de uma forma exemplar suspender o seu futuro, a bem do colectivo. Dêm o exemplo e cumpram, exactamente as mesmas determinações que deram ao Povo. Suspendam as vossas celebrações!!!
Peço-lhe Sr. Marcelo Rebelo de Sousa, que fique em casa também e ordene aos desobedientes Deputados e ao irresponsável Presidente deles, para ficarem em casa, com um craveiro à janela. Portugal agradece e isso apenas reforça a autoridade democrática. Se não o fizer, corre o sério risco, de cada Português ter, com justa causa, uma razoável justificação, para sair de casa quando e para onde lhe apetecer, sem ter que dar uma pérfida desculpa. É apenas uma questão de proporcionalidade.
A bem da Nação, antecipadamente grato.

terça-feira, 31 de março de 2020

CONVERSAS COM O MEU TIO JOÃO - CONSTRUIR


Numa das muitas conversas com o sábio da vida, que é o meu Tio João, comentávamos o estado do Mundo e ele, do alto da sabedoria dos seus 85 anos, perguntava-me o que eu achava do futuro, por causa desta enorme crise do Corona. E eu fiquei sem resposta, mas na minha ingenuidade de sempre acreditar que tudo vai melhorar, disse-lhe que iremos ter que reconstruir e repensar o mundo. Ele aquiesceu com a cabeça, mas percebi, que algo ia no seu pensamento, que eu resolvi indagar. Ele perguntou-me então o que eu entendia por construir? Se há algo que não é o meu forte, é a construção de prédios, mas usando alguma similitude, disse-lhe é como se eu juntasse, pedreiros, carpinteiros, engenheiros, eletricistas, arquitectos, canalizadores, entre outros, para construirmos um belo edifício, que possa servir para albergar famílias, escritórios, comércios, para harmonizar uma vida em comum, seria a felicidade das pessoas que frequentem esse espaço imobiliário. Ele disse que era um bom exemplo, mas como sempre, colocou uma pergunta: e se algum desses elementos que vão construir o edifício, por inveja, por negligência, por inépcia, por preguiça, por egoísmo, decidirem boicotar a construção? Eu fiquei admirado com a pergunta, mas disse-lhe que provavelmente iria demorar mais tempo e esforço, ou seja, iriam ser consumidos mais recursos, para construir o prédio, provavelmente com o sacrifício dos outros empreendedores. O meu Tio João, retorquiu de imediato, aprovando a minha análise: ora aí tens a resposta de como vai o mundo hoje! De facto, a cupidez (a sede de poder, entre outras coisas) de alguns poucos, provoca sacrifícios desnecessários, para a grande maioria. Muitos homens têm o ideal de dominar o Mundo. Sempre foi assim, basta ver a sucessão de guerras que já vem antes de Cristo. Mas hoje, meu sobrinho, o Mundo mudou. Hoje já não é uma questão de ver quem tem o maior barco, quem tem mais aviões ou os soldados mais destemidos. Hoje, as guerras, fazem-se com ataques digitais, com desequilíbrios económicos ou com lutas biológicas e para perceber isso, é preciso muita paciência de chinês. Fiquei siderado com esta última frase. O Tio João tem sempre razão.

sábado, 27 de outubro de 2018

OS NOVOS POBRES


Fico atónito com a estupidez dos pseudo sábios do mundo, muito tristes porque a economia está em desaceleração. E o mais grave é que não conseguem encontrar a solução. Estúpidos!! A economia não cresce, porque não há consumo. Não há consumo, porque as pessoas não têm dinheiro. As pessoas não têm dinheiro, porque cada vez há menos trabalho (e é remunerado cada vez pior). E porque há menos dinheiro? Porque cada vez mais há menos ricos, mas cada vez mais ricos e por reflexo, cada vez há mais pobres e cada vez mais pobres, num número exponencial.
Foi recentemente publicada a lista dos mais ricos do mundo e fico absolutamente chocado, com os valores de riqueza de cada uma dessas pessoas. Não sou invejoso e sou dos primeiros a aceitar que as pessoas mais bem sucedidas na vida, têm que ter mais património que eu. Mas custa-me aceitar que poucas pessoas em poucos anos, sejam ulta-multi-mega-hiper ricas. Ou os outros são ultra-multi-mega-hiper estúpidos, (que eu não creio) ou algo de muito estranho se passou. No nosso mundo actual, as engenharias financeiras, mais ilegais e injustas, destroem o bem estar colectivo, os principios da solidariedade social.
Perderam-se os valores e perdeu-se o valor. Cada vez mais, o eu vale mais que os outros. Somos um comboio em alta velocidade, numa linha que vai terminar de frente para o precipicio. Talvez, já hoje, seja tarde demais para parar esse comboio, mas continuamos todos, mais ou menos felizes na nossa escravatura da vida. Valha-nos a alegria, que ainda não paga imposto.

sábado, 10 de março de 2018

DIA MUNDIAL DAS GAJAS

Então as gajas precisam de ter um dia mundial, apenas para demonstrarem que não são menos que os gajos? Estranho, pois no fim da década de 60 e nas seguintes, outras gajas, andaram a lutar pela liberdade do corpo feminino e a sua autonomia sexual, para agora em pleno séc.º XXI, chegarem à conclusão que afinal são umas “coitadinhas”, nas mãos desses seres terríveis que são os gajos?? Foi uma semana de histeria, em torno de mais um dia mundial de qualquer coisa (um dia destes o ano tem que passar a ter 400 ou mais dias, para tanto dia mundial da parvoíce). O Facebook, os jornais, as rádios, as televisões, os Instagrams, os Twitters e outros, encheram-se de mensagens de felicidade, amor e carinho. Que hipocrisia. Tirando algumas, poucas infelizmente, que foram produzidas pelos próprios, com verdadeiro amor e dedicação, a esmagadora maioria, recebi-as em octuplicado, pois as pessoas, com a sua falta de tempo, imaginação e verdadeira afeição, copiavam de umas para as outras, apenas para animar as gajas de quem gostavam. Mas voltando ao grande tema deste ano: o assédio sexual. Bem, esta conversa dá pano para mangas e eu vou ferir algumas susceptibilidades mais pseudo-sensíveis. Então agora houve uma enormidade de gajas que descobriram que foram usadas sexualmente, apalpadas nos transportes em horas de ponta, que os seus chefes lhes passaram a mão pelo corpo e outras coisas similares? Pegando no sub-grupo das artistas de Hollywood, que foram vitimas dum famoso produtor, várias questões me assaltam o cérebro (aquela coisa cinzenta no cimo da nossa cabeça que serve para pensar!!). Uma delas é como tantas gajas (ingénuas e virgens, coitadinhas) aceitaram ir para o quarto de hotel ou para casa desse produtor, para discutirem uns papéis num qualquer filme, que muito lhes interessava. Tão púdicas, na altura, comeram, literalmente, mas agora cospem no prato da sopa e sentem-se enojadas. Mas são as mesmas gajas que vão para os “Césares” e os “Óscares” com vestidos transparentes (brancos!!) mas com rachas até ao útero? Então, continuam a exibir as suas formas voluptuosas para gáudio desses seres horrorosos que são os gajos?? Não as percebo. Acho que deveriam ir de burka, para evitar qualquer desejo ou pensamento de índole sexual. E vêm agora contar histórias com 15 ou mais anos?? Perdoem-me, tenho mais nojo dessas vacas (porque as putas, eu admiro-as e respeito-as), que das gajas que souberam aproveitar os seus dotes (físicos e não só), para conseguiram chegar aos seus objectivos, aproveitando-se das fraquezas masculinas dos gajos, mas que agora estão caladas e a sorrirem das pseudo-virgens de aviário. Eu já fui apalpado e assediado e não me considero inferiorizado, nem tenho que ir a correr para a associação de defesa dos direitos dos homens apalpados. Tenham dó da minha inteligência. Claro, que sou contra as gajas e gajos que são violados, alvo de violências verdadeiramente contra sua vontade, mas como posso sentir “pena” de gajas ou gajos, que usaram o seu corpo, para na altura, conseguirem obter algo que muito desejavam, mas que agora se armam em vítimas?? As verdadeiras gajas, que sabem usar o seu charme, inteligência e sensualidade de uma forma discreta, essas sim eu admiro-as e respeito-as. As outras, são apenas gajas que para obterem notoriedade se ofereceram e que agora que já atingiram um estatuto, ou que entretanto já perderam a sua reputação, vêm agora armadas em galinhas de aviário, tentar voltar a ganhar notoriedade. Da primeira vez armaram-se em boazonas, agora armam-se em vítimas. Enquanto houver gajas (e gajos) que abusem desta perspectiva, então haverá necessidade de muitos dias das vitimas de qualquer coisa (coitadinhos!!). Termino, com um enorme beijo de respeito e amizade a todas as gajas e gajos, que sabem aproveitar e viver a vida. Os outros são apenas uma cambada de frustrados. Um último comentário: se usei o termo gajas e gajos, entendam-no como uma forma amistosa e sincera, de vos dizer que gosto das verdadeiras pessoas (mulheres e homens), que são mesmo verdadeiras e genuínas. Portem-se mal e desfrutem da vida, sem complexos, nem remorsos.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

A MARCHA INEXORÁVEL DA VIDA

A marcha inexorável da vida, a mesma que me trouxe e me há-de levar, também traz e leva, outras pessoas. Esta semana partiram duas pessoas, que, cada uma, pelos seus motivos me marcaram, me fizeram crescer e sorrir. Uma, Belmiro de Azevedo, que com a sua tenacidade e perseverança, conseguiu construir um império, com tudo o que de bom e menos bom, isso acrescenta, na vida das pessoas. Não vou discutir as suas virtudes ou tomar outras considerações sobre o grupo SONAE. Apenas posso dizer, que trabalhar na Modelo Continente Hipermercados, entre Junho de 1988 e Março de 1994, me fez crescer como homem, mas sobretudo como profissional. Aprendi muito, trabalhei muito, também me diverti muito, comecei no Continente da Amadora, numa altura em que ainda não existiam computadores, como hoje, em que tudo era feito à mão, entre multidões de clientes que diariamente nos visitavam em magotes de gente. Trabalhar na Sonae, proporcionou-me também, ter guardado um punhado de bons Amigos, que ainda hoje guardo com muita emoção. Outra, foi o Zé Pedro. O Zé Pedro, um grande músico, uma enciclopédia musical e Senhor de um enorme sorriso, que em conjunto com os seus amigos e colegas dos Xutos, cresceram comigo, em múltiplas ocasiões e em muitíssimas músicas que cantei ao vivo, em karaokes, entre copos com amigos, em festas de anos, em concentrações motards (Faro e Góis, sempre!!), eu sei lá. Por cada um deles, verto uma lágrima de ternura, alegria, saudade, amizade, mas sei que cada vez mais, infelizmente, o meu céu tem mais estrelas. Bem-hajam, Belmiro e Zé. Até sempre.

domingo, 30 de abril de 2017

OS VERMES DAS CLAQUES DESPORTIVAS

Revolta-me profundamente, que tenha que partilhar o meu espaço na sociedade, com os mesmos energúmenos que nada fazem para merecer essa convivência social. Falo da recente notícia do assassinato dum adepto do Sporting, de nacionalidade italiana, por um criminoso dos ”No Name Boys”. É indiferente, ser do Benfica, do Sporting, do Porto ou de qualquer outro clube. Para mim, o inadmissível é essa verdadeira corja de malfeitores que as claques dos clubes abrigam. Revolta-me que Presidentes de clubes que deveriam defender valores como a solidariedade, a amizade, o desportivismo, o saber viver em sociedade, aceitem que os seus clubes sejam apoiados por bandos de parasitas sociais, que vão para os estádios destilar os seus ódios e falta de educação, misturados com armas, drogas e álcool, de uma forma perfeitamente repugnante. Se eu precisar de um agente da autoridade para salvaguardar uma determinada situação, dizem que não existem agentes disponíveis; no entanto para levar o “gado” das claques para os estádios já existem centenas de agentes, de várias valências, para os fechar em quadrados de segurança, que são a génese da pseudo virilidade desses macaquinhos, numa atroz falta de respeito, para com as outras pessoas e até mesmo com a própria autoridade. Quem não sabe e ou não quer, viver em sociedade, que seja deportado para as Berlengas e deixam-nos lá ficar uns com os outros. O futebol é um espectáculo, como outro qualquer, onde existem rivalidades, mas rivalidades saudáveis, sem ofender, magoar, injuriar, ou até matar. Deve ser um espectáculo onde as famílias podem ir, com a mesma garantia de paz e segurança, como vão a um concerto, ao cinema, a um teatro ou a uma exposição. Acabem com as claques e destituam os Presidentes que lhes dão aval. Penalizem as equipas que precisam destes vermes, penalizando-os na utilização dos seus recintos, até provas em contrário. As claques são o pior exemplo da falta de civismo e ódios, que cada vez mais despontam na nossa sociedade.

domingo, 8 de janeiro de 2017

O SOARES FOI FIXE!

Ontem desapareceu uma personagem incontornável da história contemporânea portuguesa. Podemos gostar dele ou não. Eu, pessoalmente votei a maior parte das vezes, mais à direita, a favor dos adversários de Mário Soares, por isso sinto-me isento, para agradecer tudo o que Mário Soares fez por Portugal. É certo que tem algumas zonas (muito?) cinzentas, nomeadamente a descolonização, mas não é decerto por algumas decisões menos boas, tomadas em momentos muito conturbados, que lhe deixo de reconhecer todo o seu mérito, não só no plano nacional, mas sobretudo no plano internacional, o que prova que estamos perante uma português de elevada estatura, craveira e disponibilidade, para os combates que teve ao longo da sua vida. Fez na vida o que gostou – ser político, mas político a sério, não são estes políticos de aviário de hoje. Portugal até teve verdadeiros homens de combate e convicções nessa altura: Álvaro Cunhal, Sá Carneiro, Adelino Amaro da Costa, entre tantos outros, cada um com o seu percurso e história. O tempo encarrega-se de repor a verdade e os factos na sua verdadeira dimensão, assim, o que mais agradeço a Mário Soares, foi a sua coragem na primeira dezena de anos da revolução, quando o partido comunista tinha como único objectivo, que até seria louvável nos seus fundamentos ideológicos, mas que mais não passou da destruição gratuita do aparelho produtivo industrial e agrícola, assim como do tecido empresarial, o que nos provocou a primeira banca rota e um desvario de que tudo seria fácil, fazendo-nos atrasar em dez anos, aquilo que tínhamos conseguido evoluir, muito lentamente, nos últimos 20 anos antes da revolução. Valeu na altura a frontalidade, a coragem e o prestígio internacional de Mário Soares, para ainda hoje podermos fazer a contagem da nossa nacionalidade, desde os tempos de Afonso Henriques. Se não tem sido o seu papel, na melhor das hipóteses, hoje provavelmente seriamos mais uma província de Espanha (com menos peso que a Andaluzia, que com cerca de 7 milhões de habitantes, tem um PIB, superior ao nosso). Podemos não gostar dele, podemos não estar de acordo com ele, mas nada nos dá motivo, para vangloriarmos a sua morte, nem escamotear a sua importância. O seu papel merece respeito e recato, especialmente neste momento de luto. O mundo não é que queremos que seja, o mundo é que é, e o facto de a nível nacional e internacional, vermos um Português ser reconhecido pelo seu mérito, merece o nosso respeito e o meu orgulho! Vai em paz, Mário Soares, foste fixe.